O presidente da comissão especial de acompanhamento da privatização da TAP, Cantiga Esteves, afirmou esta quarta-feira que a companhia aérea vive «um desespero completo de tesouraria», considerando que «é absolutamente agonizante viver minuto a minuto».

Na comissão de Economia e Obras Públicas, na qual a comissão está a ser ouvida por requerimento do PS, João Cantiga Esteves defendeu que «é urgentíssima a capitalização da TAP», realçando que «o que está em causa é a sobrevivência da empresa».

«Vive-se um desespero completo de tesouraria, é andar o dia-a-dia em desespero», disse, ilustrando com números: «Fatura dois mil milhões de euros e tem um free cash flow [fluxo de caixa livre] de dois milhões de euros».
Neste contexto, prosseguiu, «é muito significativo chamar a capitalização da empresa em primeiro lugar» aos critérios para a escolha do futuro dono da TAP.

A capitalização é o primeiro de nove critérios de escolha, seguido pelo valor da oferta e projeto estratégico, segundo o caderno de encargos, que não fixa prazos para a manutenção do hub [centro de operações] em Portugal.

O reforço da capacidade económico-financeira da TAP avalia tanto o plano de capitalização como as condições para a sua concretização, de acordo com o caderno de encargos da privatização da TAP, publicado no Portal do Governo.
Cantiga Esteves realçou ainda a aprendizagem decorrente do processo de privatização falhado em 2012, considerando que «as alterações introduzidas podem permitir um sucesso do processo ao contrário do que aconteceu no processo anterior».

«Quer isto dizer que as propostas vão ter que ser muito concretas sobre o reforço de capital e as ofertas passam a ser vinculativas, o que não aconteceu em 2012», afirmou.