Os trabalhadores da TAP decidiram hoje em plenário manifestarem-se contra a privatização da companhia aérea no dia 24 de junho, data da assinatura do contrato de compra e venda com o agrupamento Gateway.

Os trabalhadores da TAP reuniram-se hoje em plenário para demonstrar que não desistiram da luta contra a privatização, que consideram ser o caminho para a destruição de uma das mais importantes empresas do país.

Em declarações aos jornalistas, no final do plenário, o coordenador da Comissão de Trabalhadores da TAP Vítor Baeta adiantou que “vai haver a assinatura de um acordo sobre os pressupostos de compra do grupo no dia 24 e estamos a pensar fazer uma ação nesse dia”, remetendo mais pormenores sobre a manifestação para mais tarde.

O representante dos trabalhadores explicou que a ação será concertada com os três sindicatos – SINTAC, SITAVA, SNPVAC - que hoje também estiveram no plenário, que foi “muito participado”.

“Nada está decidido em todo este processo [de privatização]. Vamos ver, porque estamos num Estado de Direito e há providências cautelares que não foram decididas, temos o Tribunal de Contas que tem que dar o seu parecer e ainda Bruxelas. Ainda vai passar muita água pelo rio”, declarou Vítor Baeta.

O plenário dos trabalhadores da TAP e da Groundforce contou com a presença dos deputados do PS Rui Paulo Figueiredo, do PCP Miguel Tiago e do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua. O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, também esteve presente.

No final do plenário, Rui Paulo Figueiredo garantiu que o PS tomará medidas caso o Governo introduza uma cláusula que impeça a reversão do negócio entre o Governo e o consórcio Gateway, dos empresário Humberto Pedrosa e David Neeleman, acrescentando que “se for incluída, é ilegal, porque viola os contratos públicos”.

“O Governo procura enganar os portugueses. Até à conclusão deste processo, não há direito a compensações nem indemnizações [à Gateway]” num cenário do PS reverter a venda de até 66% do grupo, caso constitua Governo.

A deputada do BE Mariana Mortágua defendeu que a maioria da população é a favor de uma TAP pública e que por isso “há vários caminhos da luta e da contestação daqui para a frente”, lembrando que “há muitas etapas daqui para a frente”. “Não é tão simples como o Governo quer fazer passar”, acrescentou.