A estrutura sindical da TAP, constituída pelo SITAVA, SINTAC e SNPVAC, que discorda da privatização da transportadora nacional, vai cobrar as promessas eleitorais ao novo Governo, assim que tome posse, garantiu à Lusa a porta-voz, Luciana Passo.

“Temos aguardado serenamente – até para não prejudicar a empresa –, mas aquilo a que temos vindo a assistir levanta muitas dúvidas: como é que o Governo é responsável pela negociação e avalista da dívida, quando antes não o podia fazer, por que o Estado não tentou vender os terrenos [da sede da empresa junto ao aeroporto] se tal pode permitir um encaixe de 150 milhões de euros”, questionou a dirigente sindical

Em declarações à Lusa, a presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) questionou ainda o que vai acontecer às empresas do grupo que ocupam esses terrenos que, segundo o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias, estão à venda.

A porta-voz dos três sindicatos que ao longo do processo de privatização se recusaram a assinar um acordo com o Governo – como fizeram os outros nove sindicatos – considerou que todo o processo conduzido pelo Governo liderado por Passos Coelho levantou muitas dúvidas, que se avolumaram desde a assinatura do contrato de venda de 61% do grupo ao consórcio Gateway, de Humberto Pedrosa e de David Neeleman, no passado dia 12.

Para já, adiantou, os sindicatos – que dizem representar mais de 70% dos trabalhadores - aguardam a tomada de posse do novo executivo, para de imediato reclamar a reversão do negócio: “Vamos cobrar promessas eleitorais ao novo Governo”.

Durante a campanha, António Costa, indigitado primeiro-ministro na terça-feira, avisou que um governo socialista não vai permitir que a TAP tenha mais de 51% de capital privatizado.

O SNPVAC, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) foram os que ficaram de fora do acordo com o Governo, fechado em dezembro de 2014, que dava garantias aos trabalhadores em caso de privatização.

Os outros nove sindicatos representativos dos trabalhadores assinaram na véspera de Natal do ano passado um memorando, que garantia que o novo dono da TAP não fará despedimentos enquanto o Estado for acionista ou nos primeiros dois anos e meio após a venda, por exemplo.