O ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou esta sexta-feira que o processo de recuperação da maioria do capital da transportadora aérea TAP para o Estado deve ser “célere”, não sendo esta vontade do Governo PS “inesperada e nova”.

“Estamos no início de um processo negocial que, de qualquer forma, deve ser célere até para a estabilidade da própria empresa. Não é uma corrida de 100 metros, claramente, mas creio que estamos a fazer bem”, disse o ministro aos jornalistas, à margem da apresentação do Plano 100, em Matosinhos, no distrito do Porto.

O governante frisou que quando o consórcio Atlantic Gateway, assinou o contrato de privatização, o Governo PSD/CDS-PP já estava demitido e havia uma maioria de esquerda na Assembleia da República, sendo previsível que houvesse um Governo liderado pelo PS.

E concretizou: “já tínhamos dito em campanha eleitoral que queríamos travar o processo de privatização”.

Pedro Marques salientou que a TAP é “muito importante” para Portugal por razões estratégicas e pela relação com a lusofonia, por isso, o interesse público do Estado Português é “muito grande”.

Na sua opinião, durante o processo de privatização da transportadora aérea ficou visível os “riscos” para o Estado Português, daí a necessidade de reverter o processo.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje, em Bruxelas, que o Estado retomará a maioria do capital da TAP mesmo sem acordo com os compradores privados.

Na quinta-feira, o empresário Humberto Pedrosa, acionista da Atlantic Gateway com o empresário David David Neeleman, reuniu-se com o Governo para o primeiro encontro oficial sobre a recuperação da posição maioritária do Estado.

"O nosso projeto não se adapta com minoria", afirmou o empresário, acrescentando: "Estamos a conversar [com o Governo]. Isto foi uma primeira conversa, com certeza que o Governo não quer fechar a porta e nós não queremos fechar a porta".

O acordo de conclusão da venda direta de 61% do capital da TAP foi assinado no dia 12 de novembro entre a Parpública, empresa gestora das participações públicas, e o agrupamento Gateway, na presença da então secretária de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco, do então secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Miguel Pinto Luz.