O ministro da Economia, Pires de Lima, apelou hoje aos dois candidatos que passaram à fase de negociações à compra da TAP para darem “corda aos sapatos” na melhoria das suas propostas para o Governo tomar uma decisão em junho.

O Governo volta a afastar o cenário de despedimentos, mas esta questão já era expectável uma vez que há um acordo entre Governo e Sindicatos.

“Espero que durante o mês de junho estejamos em condições de apresentar uma proposta em Conselho de Ministros, mas para isso é fundamental que os dois candidatos que passaram à última fase deem corda aos sapatos e melhorem em as suas propostas”, afirmou Pires de Lima na Universidade Europeia de Madrid.


O ministro da Economia recusou-se a revelar as medidas incluídas no plano de reajustamento da TAP elaborado pela administração da companhia e entregue ao Governo na segunda-feira, com o objetivo de ultrapassar as dificuldades financeiras da transportadora, agravada pela greve de dez dias dos pilotos em maio.

“Não conheço ainda o documento, porque vim para Espanha ontem. Mas creio que o centro das políticas de sustentabilidade que este conselho de administração está a propor, até ao momento em que a empresa seja privatizada de facto, não tem como ponto principal os despedimentos”, adiantou, quando questionado sobre a possibilidade das medidas conduzirem à redução do número de trabalhadores.


Sobre o significado dos despedimentos não serem “o ponto principal” do plano da TAP, Pires de Lima elucidou: “Se eu disse que não é o principal é porque muito provavelmente não deve estar contemplado”.

O governante remeteu o pedido de mais esclarecimentos para o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, “que é está em mais permanente contacto com a administração da TAP”.

O Governo decidiu na quinta-feira em Conselho de Ministros passar dois candidatos à compra da TAP à fase de negociação, afastando o consórcio de Miguel Pais do Amaral e continuando a negociar com Gérman Efromovich e David Neeleman.

O Conselho de Ministros decidiu mandatar os secretários de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e do Tesouro, Isabel Castelo Branco, para avançar com as negociações junto dos outros dois consórcios, sempre com a Parpública incluída.

A proposta de Gérman Efromovich, dono da operadora aérea Avianca e do grupo Synergy, inclui a entrega de 12 novos aviões Airbus após a transferência das ações da companhia e a renovação da frota da Portugália com aviões Embraer até 2016, sendo que o empresário propõe recapitalizar a empresa em 250 milhões de euros, segundo informações avançadas pela imprensa.

David Neeleman, patrão da companhia aérea brasileira Azul e que está em parceria com Humberto Pedrosa, do grupo Barraqueiro, promete reforçar a TAP com 53 novos aviões e investir 350 milhões de euros.

O Governo vai reunir hoje com a equipa de David Neeleman e amanhã com a de Efromovich.