O ministro da Economia, António Pires de Lima, espera levar uma decisão sobre a privatização da TAP a Conselho de Ministros na primeira quinzena de junho.

"Espero que este processo possa levar a uma decisão em Conselho de Ministros durante a primeira quinzena de junho", disse António Pires de Lima, à margem do encerramento da WEDO Technologies Worldwide User Group Conference'15, que hoje decorreu em Lisboa.

Pires de Lima não poupou críticas ao líder do PS, António Costa: "Tenho muita pena que por mero oportunismo politico e com enorme ausência de Sentido de Estado nem todos os políticos com responsabilidade governativa do passado tenham estado à altura das circunstâncias", no âmbito da privatização da TAP.

O ministro referia-se às declarações de António Costa, esta semana, quando assumiu o compromisso de não privatizar setores estratégicos, esperando que o caso da TAP e de outros não sejam "irreversíveis", acusando o Governo de ter uma "fúria privatizadora".  

O governante insiste que "é muito importante que a TAP seja privatizada", justificando que o cenário alternativo "é de grande perda” para a companhia, em termos de rotas e de capacidade de competir. 

"Quem conhece o 'dossier' TAP, quem conhece as circunstâncias em que está a TAP, a tensão financeira que vive a companhia, sabe que é importante privatizar a TAP, eu diria mesmo que é quase essencial"


O Governo decidiu em Conselho de Ministros na quinta-feira passar à fase de negociação com dois dos três candidatos à compra de 66% do grupo TAP, Gérman Efromovich e David Neeleman, afastando o consórcio de Miguel Pais do Amaral, por incumprimento dos "requisitos mínimos legalmente exigidos pelo caderno de encargos". Em relação aos candidatos que se mantêm na corrida, o Executivo entende que as propostas podem ser melhoradas
 

Portas faz apelo


O vice-primeiro-ministro Paulo Portas considerou entretanto que é necessário “ser sóbrio” nas declarações sobre o processo de privatização da TAP e permitir que “o Governo faça a melhor negociação do ponto de vista do interesse público”.

“Neste momento, Portugal está a fazer uma negociação com duas companhias que têm de fazer boas propostas para que o interesse público do Estado português possa ficar cómodo e confortável”, começou por dizer, no final de uma visita às instalações da Sogrape, em Vila Nova de Gaia.

"Neste momento há uma fase formal de negociações”. “Isso não se compadece com declarações. Que vença o melhor, mas para vencer o melhor é preciso que a negociação seja bem feita e isso não se compadece com controvérsias."


“Entrámos numa fase de negociação do Estado que representa o interesse público com duas companhias que passaram a essa fase de negociação”, acrescentou, escusando-se a responder a perguntas dos jornalistas sobre o processo de privatização em si.