O presidente da comissão especial de acompanhamento da privatização da TAP afirmou esta quarta-feira no parlamento que os prejuízos de 46 milhões de euros da companhia aérea obrigaram a «olhar para a avaliação» do grupo.

«Existem essas avaliações que vão sendo ajustadas e as contas que acabaram de sair obrigaram a olhar para essa avaliação. É um processo ongoing [em curso]», disse João Cantiga Esteves, que está a ser ouvido na comissão de Economia e Obras Públicas, por requerimento do PS.

O presidente da TAP, Fernando Pinto, afirmou na passada quarta-feira que os prejuízos da companhia aérea em 2014, depois de cinco anos de lucros, não afastaram potenciais interessados na privatização da transportadora aérea nacional.

«Não temos nenhuma notícia de perda de interesse», afirmou o gestor, na apresentação dos resultados da TAP S.A. [negócio da aviação] em 2014, que fechou o ano com prejuízos de 46 milhões de euros, resultado da entrada tardia em operação dos novos aviões, 22 dias de greve, entre anunciados e efetuados, e algumas ocorrências operacionais.

Questionado sobre o impacto dos 46 milhões de euros de prejuízos, Fernando Pinto foi perentório: «Se tem influência na privatização? Não, porque é considerado um evento fora do usual».

O presidente da TAP contou que, «na época [em que ocorreram as perturbações de verão], tinha contacto com vários interessados, que questionavam porque é que a TAP estava na imprensa o tempo todo», desvalorizando os cancelamentos e atrasos dos meses de verão, que "acontecem na história da empresa mas que não se repetem».
Ainda assim, o gestor admitiu o impacto dessas perturbações na imagem da transportadora, acrescentando que houve mesmo «uma perda de mercado» tendo a companhia «vindo a trabalhar» para a recuperar.

Sobre a privatização do grupo (TAP SGPS), Fernando Pinto revelou apenas que a administração da TAP já fez «várias apresentações para vários interessados» que passam por uma conversa informal e uma projeção de alguns dados.

Agora, acrescentou na altura, vai começar uma segunda etapa, que é marcada por uma apresentação «mais formal» do grupo TAP aos potenciais interessados, que têm que entregar as suas propostas vinculativas até 15 de maio.
Fernando Pinto recusou-se a falar do número e nome desses interessados no grupo, referindo a existência de um acordo de confidencialidade.