A CGTP repudiou esta sexta-feira a decisão do Governo de privatizar a TAP, classificando a venda ao consórcio Gateway um “negócio ruinoso”, uma vez que o montante envolvido “não é mais do que uma gorjeta” para o Estado português.

“A proposta de 10 milhões de euros oferecida pelo grupo ao Estado português não é mais do que uma gorjeta para uma empresa como a TAP que vale milhares de milhões de euros e que tem um prestígio reconhecido em todo o mundo face à qualidade do serviço que presta e à forma como se relaciona com as nossas comunidades”, disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, à agência Lusa.


No entender do dirigente, trata-se de “um negócio ruinoso”, considerando que “a mesma TAP que comprou a Portugália que tinha apenas 16 aviões há alguns anos por um preço de 140 milhões de euros é a TAP que o Governo português quer vender por 10 milhões de euros, sendo uma empresa que tem 76 aviões e continua a ser a maior exportadora do país com valores calculados em cerca de 2 mil milhões de euros ano”.

“É uma decisão que a CGTP repudia e tudo fará para combater este anúncio de privatização”, prometeu Arménio Carlos que acusa o Governo de “obsessão ideológica”.


A privatização da companhia aérea representa “um problema que não é económico, mas financeiro”, que “decorre de uma obsessão ideológica deste Governo para construir um monopólio privado que beneficie uns quantos à custa dos sacrifícios de muitos […] não só no setor aéreo, mas também no setor ferroviário”, disse.

Arménio Carlos acentuou que “este processo da TAP não está encerrado”, na medida em que “vai ter de continuar durante vários meses”.

“E tal como em situações anteriores, em que os trabalhadores rejeitaram por duas vezes hipóteses idênticas de privatização, estamos convictos - com a aproximação das eleições - que esse aumento de contestação irá verificar-se e serão criadas as condições para travar este processo que consideramos ruinoso para o país”, sublinhou o sindicalista.


O Governo decidiu na quinta-feira vender o grupo TAP, dono da transportadora aérea nacional, ao consórcio Gateway, do empresário norte-americano e brasileiro David Neeleman e do empresário português Humberto Pedrosa, rejeitando pela segunda vez a proposta de Germán Efromovich.

De acordo com o Governo, a proposta da Gateway era a melhor proposta no que respeita à contribuição para o reforço da capacidade económico-financeira do grupo TAP, ao projeto estratégico e ao valor global apresentado para a aquisição de ações, critérios de avaliação previstos no caderno de encargos.