O ex-ministro da Economia Pires de Lima defendeu hoje que o modelo de privatização da TAP, negociado pelo Governo de António Costa, só tem desvantagens, nomeadamente ao obrigar o Estado a manter a dívida no seu perímetro financeiro.

Só vejo desvantagens neste modelo que o Governo do PS decidiu seguir depois de se ter feito o 'closing' da operação [de privatização] em novembro", afirmou Pires de Lima, que está a ser ouvido na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, referindo que na altura do fecho da venda já não integrava o então recém constituído Governo de Passos Coelho.

O antigo governante criticou o modelo de "gestão privada de uma empresa que passa a ser detida a 50% pelo Estado", que assim "tem que manter no seu perímetro financeiro a dívida da TAP" e obriga "a maior participação do Estado num reforço do capital".

O Governo de António Costa vai pagar 1,9 milhões de euros para o Estado ficar com 50% da TAP (em vez de 34% como previa o acordo anterior), resultado das negociações com o consórcio Gateway, que tinha 61% do capital da companhia e que agora fica com 45%, podendo chegar aos 50%, com a aquisição do capital à disposição dos trabalhadores.

“Acho curioso este modelo que, por um lado, diz que querem uma TAP com gestão privada, mas ao mesmo tempo querem ser responsáveis por metade da dívida e este número incontável de administradores (seis nomeados pelo Estado)”, declarou o antigo governante, manifestando mesmo ter "pena" pela reversão do negócio de venda de 61% do grupo TAP, bem como pela reversão de outros negócios que estavam perto da tramitação final.

Na audição no parlamento, Pires de Lima considerou "excessivo" que se diga que a venda foi feita pela calada da noite, realçando que "foi talvez o processo mais escrutinado nos últimos anos".

"O processo, o relançamento depois de uma primeira tentativa, ocorreu enquanto eu era ministro da Economia. Foi um processo bastante estudado, porque não queríamos lançar enquanto não tivéssemos certeza de que era competitivo, com a razoável segurança de que podíamos ter pelo menos dois concorrentes a apresentar propostas firmes", sublinhou.

O ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, acusou hoje o Governo de Passos Coelho de fazer "uma privatização à última hora, que a ANAC [Autoridade Nacional da Aviação Civil] veio pôr em causa".

"O parecer da ANAC inviabilizou aquela privatização feita à noite com o Governo demitido", declarou.