O presidente da TAP, Fernando Pinto, lamenta que a empresa não tenha tido acesso a capital nos últimos 15 anos e frisou que essa é precisamente “a grande vantagem” da entrada do consórcio Gateway na transportadora aérea.

O contrato para a compra de 61% do capital do grupo TAP pelo consórcio Gateway, que integra o dono da Barraqueiro, Humberto Pedrosa, e o empresário brasileiro e norte-americano David Neeleman, foi assinado esta quarta-feira no Ministério das Finanças, em Lisboa.

À margem da cerimónia, o presidente da TAP afirmou aos jornalistas que haverá, a partir de agora, condições para “olhar para a frente” e condições de crescimento.

“É uma excelente oportunidade para ir para a frente novamente”, reforçou.


“A grande vantagem agora é o acesso ao capital que nos faltou. Nos 15 anos, pelo menos, em que eu estou [à frente da empresa], nós nunca tivemos acesso ao capital da forma como vamos ter agora e conseguimos, de qualquer maneira, ainda crescer e crescer muito. Crescemos quase três vezes em tamanho, mas sempre com grande dificuldade”, declarou Fernando Pinto, considerando que a privatização traz “muita facilidade”.

O presidente da companhia aérea acrescentou ainda que não está em causa apenas o acesso a capital, mas também “a novas ideias, a pessoas que chegam com sangue novo” e com uma ”visão estratégica” que vai ajudar “a ter um futuro melhor para a TAP”.

Questionado sobre o confronto entre esta visão otimista e os protestos dos trabalhadores, Fernando Pinto destacou que se trata de uma questão política.

“Sabemos que há sindicatos com diversas cores políticas e que, por princípio, não concordam com a privatização e nós respeitamos”, disse o presidente da TAP, destacando que o seu contacto com os trabalhadores da companhia aérea revela que “as pessoas estão entusiasmadas com uma nova era que a empresa vai começar”.