O capitalismo popular regressou no final de 2013 depois de um «jejum» de cinco anos, com a venda de 70% dos CTT em bolsa, numa dinamização do mercado de capitais que continuará em 2014 com empresas do Grupo Espírito Santo.

Inspirado no sucesso da dispersão em bolsa dos correios britânicos, Royal Mail, e belgas, Bpost, o Governo anunciou a 10 de outubro que privatizaria os CTT ¿ Correios de Portugal em bolsa e por venda direta. Menos de dois meses depois, a 04 de dezembro, o Estado vendeu 70% do capital social da empresa a 5,52 euros por ação, uma operação que permitiu um encaixe de 579 milhões de euros.

A estrutura acionista dos CTT ainda não é conhecida em pormenor, sabendo-se apenas que 56% do capital ficou em «mãos portuguesas» (incluindo os 30% detidos pelo Estado, através da Parpública) e 43% passam a ser detidos por investidores estrangeiros.

Na sexta-feira, as ações dos CTT fecharam a valer 5,53 euros, um cêntimo acima do preço de venda na Oferta Pública de Venda (OPV).

A OPV dos CTT foi a primeira feita pelo Estado desde 2008, uma operação a que deverá seguir-se, no próximo ano, a dispersão em bolsa de partes do capital da Espírito Santo Saúde e da Rio Forte, com o objetivo de reduzir o endividamento e reforçar os rácios de capital do Grupo Espírito Santo.

A holding de saúde deverá estrear-se no mercado até ao final do primeiro trimestre de 2014, enquanto a Rio Forte (que detém os hotéis Tivoli, a agência de viagens Top Atlântico e a Herdade da Comporta, entre outros ativos) deverá entrar em bolsa ao longo do ano.

Em 2014, deverá também ser concretizado o processo de privatização das seguradoras do Grupo CGD (Fidelidade, Multicare e Cares). O prazo de entrega das propostas termina a 16 de dezembro e na corrida estão a chinesa Fosun International Limited e a norte-americana Apollo Managment International LLP, mas têm surgido notícias de que, depois dos CTT, o Governo poderá recuar e optar pela dispersão em bolsa.

Fora do mercado de capitais, o Governo deverá vender a Empresa Geral do Fomento (EGF), sub-holding do Grupo Águas de Portugal para a área de negócio dos resíduos, bem como concluir a última fase de privatização da REN - Redes Energéticas Nacionais, onde o Estado detém 11,1% (9,9% da Parpública e 1,2% da Caixa Geral de Depósitos).

Está ainda prevista a privatização da CP Carga, que tem vindo a ser adiada, e é aguardada uma decisão sobre a venda da TAP, depois de, no final de 2012, o Governo ter rejeitado a proposta de compra da companhia aérea feito pelo grupo Synergy, do empresário Germán Efromovich.

No âmbito das privatizações acordadas com a troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), até agora, o Estado vendeu 21,35% que detinha na EDP à China Three Gorges, alienou 40% do capital da REN aos chineses da State Grid e aos árabes da Oman Oil Company e desfez-se da ANA - Aeroportos de Portugal à francesa Vinci.

De acordo com o secretário de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues, Portugal atraiu 6 900 milhões de euros de investimento direto estrangeiro com o programa de privatizações.