O antigo secretário de Estado dos Transportes Sérgio Monteiro defendeu esta terça-feira que a privatização de apenas 50% da TAP, modelo adotado pelo atual Governo, "era mau para o Estado e não era bom para a companhia".

"Atrever-me-ia a dizer que vender apenas 50% [do grupo TAP] não era interessante para o Estado, porque pressupunha o esforço de capitalização, o que recairia sobre os contribuintes portugueses", afirmou o antigo governante, que está a ser ouvido no Parlamento.

Na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, Sérgio Monteiro disse que, nesse cenário, "teria sido impossível livrar o Estado de participar do esforço capitalização, o que implicava por os contribuintes a pagar".

"Uma privatização a 49% ou 50% era mau para o Estado, em todas as análises que fizemos, e não era bom para a companhia", declarou, lembrando ainda que na altura "Humberto Pedrosa e David Neeleman disseram publicamente que não investiriam se o negócio fosse este".

Sérgio Monteiro, que agora integra o Fundo de Resolução Bancário para liderar a venda do Novo Banco, realçou que continua a defender as opções tomadas enquanto esteve no Governo, considerando que o processo de privatização da TAP, reaberto em 2012, não foi feito à pressa.

O antigo governante desvalorizou que o contrato de venda de 61% do capital do grupo TAP ao consórcio Atlantic Gateway tenha sido celebrado num período em que o Governo de Passos Coelho se encontrava com poderes de gestão face à demissão ocorrida a 10 de novembro na Assembleia da República com a votação da rejeição do programa do XX Governo.

"Tratava-se de executar contratos que estavam já fechados anteriormente", disse, defendendo, "de cabeça levantada e de peito aberto, as opções tomadas, fundamentadas em critérios que norteavam a defesa do interesse público".

Hoje, Sérgio Monteiro enfatizou as dificuldades de tesouraria que o grupo TAP atravessava, especificando que chegou mesmo, a pedido do conselho de administração executiva, a falar com alguns fornecedores da empresa para atrasar o pagamento de dívidas.

"A situação de tesouraria era tão grave que tive que falar com alguns fornecedores da empresa para atrasar o pagamento. Lembro-me do caso da Airbus, em que havia o risco de perder o dinheiro que já tinha sido dado", acrescentou.

Admitindo a existência de diferenças ideológicas com o PS, o ex-secretário de Estado responsável pela venda de 61% da TAP ao consórcio de Humberto Pedrosa e David Neeleman, realçou que mais importante era o projeto proposto pelos concorrentes à transportadora.