A proposta do consórcio liderado por Miguel Pais do Amaral para a compra da TAP pedia mais tempo para avaliar o impacto da greve e garantias do Estado sobre a dívida, disse esta quinta-feira o empresário à Lusa. A TVI sabe que foi a falta de experiência e de parceiros no setor da aviação que fizeram cair a proposta do empresário. 

O Governo decidiu hoje em Conselho de Ministros passar dois candidatos à compra da TAP à fase de negociação, afastando o consórcio de Miguel Pais do Amaral e continuando a negociar com Germán Efromovich - que já veio mostrar-se "satisfeito" pelo facto de a sua proposta ter transitado para a fase de negociação-  e David Neeleman.

"Pedimos um prazo adicional para podermos analisar o impacto da greve [dos pilotos realizada entre 1 e 10 de maio] nas contas, precisávamos de mais seis semanas para analisar a greve que ocorreu cinco dias antes da data de entrega da proposta", explicou, sublinhando: "Esta foi uma greve brutal que vai ter um impacto enorme nas contas da empresa."

Por outro lado, devido "à degradação da situação da empresa", o consórcio pedia que "houvesse da parte do Estado uma tomada de medidas junto dos credores para obter condições satisfatórias sobre a dívida", acrescentou.

Miguel Pais do Amaral salientou que a partir do momento em que o Estado saia da TAP, os credores podem reclamar dívida da operadora aérea, a qual é superior a 1.000 milhões de euros.

"Era essencial que o Estado desse esse apoio", considerou o empresário.

A terceira condição dizia respeito à "necessidade de obtenção de um acordo de médio/longo prazo com os sindicatos", disse.

Ou seja, o consórcio da Quifel pretendia que se estabelecesse um acordo prévio com os sindicatos, que garantisse ao novo dono paz social no grupo TAP.

"Estas são as três condições que não se enquadram no caderno de encargos", mas que uma "análise menos rigorosa permitira passar", apontou.

O empresário lembrou que tinha apresentado uma proposta para a compra da transportadora aérea portuguesa em julho do ano passado, "a pedido do Governo" com a indicação que o processo arrancava em setembro.

Se a privatização tivesse ocorrido na altura, o empresário diz que teriam "tido tempo", já que o curto espaço para a apresentação da proposta vinculativa "prejudica um consórcio com as características" como o por si liderado, que não é uma companhia aérea e necessita da aprovação dos investidores, explicou.

Ou seja, se não tivesse havido "múltiplos atrasos" no processo privatização, que já tinha sido suspenso em 2012, o consórcio teria tido a possibilidade de "reunir todas as condições necessárias".

Pais do Amaral adiantou que continua interessado na TAP, pelo que vai "esperar calmamente" pelo desenrolar do processo: "Caso não se concretize [a privatização], o nosso interesse mantém-se."

Os pilotos, que estiveram em greve durante 10 dias, este mês, estão também hoje reunidos desde as 15:00, em Lisboa, com a situação atual tanto da TAP como da Portugália em cima da mesa.

O Governo relançou em novembro do ano passado o processo de privatização na TAP que prevê a alienação de até 66% do grupo dono da transportadora aérea nacional.

Sérgio Monteiro disse que a proposta de Pais do Amaral para a compra da TAP "era não vinculativa, logo não cumpria um dos requisitos do caderno de encargos", e foi afastada.