Afinal havia outro acordo, que a Grécia estava quase, quase a assinar, mas que caiu à última hora. E que tem diferenças substanciais em relação ao que foi apresentado ao ministro grego das Finanças, na reunião do Eurogrupo desta segunda-feira. 

O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, apresentou a Yanis Varoufakis esse «esplêndido» documento, como o próprio ministro helénico o adjetivou. Mas, «infelizmente», o presidente do Eurogrupo arruinou tudo. O que dizem, então, uma e outra versão?

Intitulado «O fim da versão do jogo», esse documento fala, logo no início, em «conter a crise humanitária» e em promover «justiça social». O último nem nesses temas toca, mas não se esqueceu das reformas no mercado laboral que, por sua vez, não vinham especificadas no esboço inicial.

Preto no branco, na primeira versão, que Atenas estava disposta a assinar, fala-se antes numa «extensão do atual acordo que pode tomar a forma [por quatro meses] de um programa intermediário». Assim mesmo, com o prazo entre parêntesis retos, falando em acordo e não em programa e acrescentando que isso serviria, apenas, de «estádio intermédio para um novo contrato de crescimento para a Grécia», que seria «deliberado e concluído nesse período», lê-se na proposta, twittada pelo editor de economia do Channel 4 News, Paul Mason:
 
Ora, o grande problema da outra proposta, a segunda, está, precisamente, na referência expressa à «extensão técnica do atual programa», como «passo intermédio», não por quatro, mas por «seis meses». E como se fosse a própria Grécia a manifestar a intensão de a pedir.

Varoufakis cortou praticamente todo o parágrafo que se refere a esse «current programme» (em inglês) e aos tempos mencionados, conforme se pode ver no documento a que o correspondente da TVI em Bruxelas teve acesso, e que o governo grego fez questão de fazer chegar aos jornalistas:
 
O FMI não é mencionado na primeira versão, ao contrário da segunda. E essa proposta do comissário europeu alude, apenas, a uma «assistência técnica da Comissão Europeia» para «reforçar e acelerar a implementação de reformas». Só quando for «considerado necessário».

Enquanto o Eurogrupo apresentou o cenário como um « follow-up» do plano atual, a Grécia faz questão de frisar que pretende um «novo contrato».

A reunião desta segunda-feira era considerada o «tudo ou nada» da Grécia, o dia «D» que não teve os efeitos desejados. Não houve acordo. A Europa adotou um tom bem mais duro de ultimato, deixando Atenas sem margem de manobra: «O próximo passo terá de ser dado pela Grécia». Varoufakis lembrou que o histórico de ultimatos tiveram maus resultados no Velho Continente.

Ainda assim, o ministro das Finanças mostrou-se confiante. Varoufakis espera um acordo nas próximas 48 horas. A sua «única condição» é que «não sejam impostas mais medidas claramente recessivas»

Os gregos veem o seu futuro decidido, mais uma vez, em Bruxelas. O prazo para encontrar uma solução está em contagem decrescente. A 28 de fevereiro termina o atual programa de resgate.