O FMI está ligeiramente mais otimista e espera que a zona euro cresça 1,5% em 2015, mas considera que essa recuperação é «frágil e desigual», defendendo que os países da moeda única apostem no investimento público. Para Portugal, o fundo mantém as previsões económicas.

No World Economic Outlook divulgado hoje, o Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais otimista e antecipa que a zona euro cresça 1,5% este ano e 1,6% no próximo, estimativas que ficam 0,3 e 0,2 pontos percentuais acima do estimado pela instituição liderada por Christine Lagarde em janeiro, respetivamente.

«Na zona euro, apesar da melhoria da atividade económica, a recuperação permanece frágil e desigual, com diferenças entre vários países da moeda única, e com uma inflação que deverá permanecer abaixo» das estimativas do Banco Central Europeu (a médio prazo, uma taxa de inflação próxima, mas abaixo, de 2%), afirma o FMI, defendendo, por isso, que «são necessárias mais medidas políticas para garantir uma recuperação mais forte da zona euro, especialmente através do investimento».

O FMI afirma que países com «margem orçamental, principalmente a Alemanha, deveriam fazer mais para encorajar o crescimento, apostando no investimento público», enquanto os países com pouca margem orçamental deveriam «usar a nova flexibilidade do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC)» para avançar com «investimento público e reformas estruturais para melhorar as suas economias».

Além disso, a instituição considera que a política monetária continua a ser «essencial para suportar a atividade económica e aumentar as expectativas de inflação» e reitera a necessidade da implementação de reformas estruturais para impulsionar o crescimento.

Contra o desemprego, o Fundo defende a redução da carga fiscal sobre o trabalho, programas de estágio mais bem direcionados, medidas ativas de criação de emprego e reforma da regulação do mercado de trabalho.

Para 2015, o FMI estima que a economia na zona euro cresça 1,5%, que a inflação baixe para 0,1% (de 0,4% em 2014) e que o desemprego recue para 11,1% (de 11,6% no ano passado).

No próximo ano, a economia da zona euro deverá crescer 1,6%, a inflação subir para 1% e o desemprego cair para 10,6%.

Mais otimista para a zona euro do que no World Economic Outlook divulgado em janeiro, o Fundo estima que o crescimento económico recupere na Alemanha (1,6% este ano e 1,7% no próximo), em França (1,2% em 2015 e 1,5% em 2016), em Itália (0,5% este ano e 1,1% no próximo) e “especialmente em Espanha (2,5% em 2015 e 2% em 2016)”.

A instituição com sede em Washington justifica a melhoria das previsões com a queda do preço do petróleo, das taxas de juro e com a depreciação do euro, bem como com uma redução progressiva da austeridade na zona euro.

No entanto, o FMI aponta alguns riscos negativos para a previsão de crescimento na zona euro, como os riscos de um período prolongado de baixa inflação (admitindo que as probabilidades da entrada em deflação são altas e deveriam ser uma preocupação), que pode ser pressionada pela queda dos preços do petróleo, ou a incerteza perante a situação na Grécia e das tensões geopolíticas na Ucrânia.