A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) projeta uma retoma da economia da zona euro nos próximos dois anos, mas moderada, de 1,0% em 2014 e 1,6% em 2015, desigual e rodeada de riscos.

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Nas suas previsões económicas divulgadas esta terça-feira, a OCDE é ligeiramente menos otimista comparativamente às previsões económicas de outono publicadas no início do mês pela Comissão Europeia, que projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no espaço do euro de 1,1% no próximo ano e de 1,7% em 2015, coincidindo ambas no recuo de 0,4% que ainda se verificará no ano em curso.

Reconhecendo que «a atividade económica na zona euro deverá recuperar em 2014 e 2015 à medida que a confiança vai melhorando, a fragmentação do mercado financeiro vai recuando e a consolidação orçamental vai sendo aliviada», a OCDE adverte todavia que «o ritmo (de retoma) continuará moderado», e desigual, «com sinais visíveis de recuperação nalguns países, mas desemprego extremamente elevado e tensões sociais profundas noutros».

A nível da taxa de desemprego, a OCDE estima que esta «feche» este ano nos 12% e atinja em 2014 um máximo de 12,1%, antes de recuar para os 11,8% em 2015, previsões que são ligeiramente menos pessimistas que as de Bruxelas (que aponta para uma taxa de 12,2% em 2013 e 2014 e prevê um recuo apenas no ano seguinte, também para os 11,8%).

Já quanto à inflação, a OCDE prevê que continue sob controlo, baixando dos 1,4% em 2013 para os 1,2% em 2014 e 2015, previsões também mais otimistas que as da Comissão Europeia (1,5% este ano e em 2014).

No entanto, na sua projeção geral para o futuro a curto e médio prazo da economia da zona euro, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico adverte para a fragilidade da recuperação e para os riscos que a rodeiam, apontando como uma das principais potenciais travões ao crescimento a «fraqueza no sistema bancário».

A organização defende, por isso, a necessidade de os «testes de stress» que estão previstos para os bancos do espaço euro serem levados a cabo de forma extremamente rigorosa e de, quando se justificar, se proceder à recapitalização e reestruturação das instituições quando necessário.

A OCDE reclama também progressos rápidos na edificação da união bancária, considerando mesmo que tal é uma pré-condição para resolver definitivamente a crise financeira na área do euro.

«Há progressos rumo a uma união bancária, mas a transição promete ser complexa e delicada, sendo necessário clarificar os critérios e as responsabilidades a nível de regulação, supervisão e resolução dos bancos», observa.

Por fim, a OCDE defende a necessidade de se prosseguir a política consolidação orçamental - «já que os níveis de dívida continuam a ser demasiado elevados» - e de reformas estruturais nos mercados do trabalho e do produto, para promover o crescimento e o emprego.

Em resumo, a organização aponta que tanto os riscos identificados ¿ entre os quais «finanças públicas frágeis e situação política incerta nalguns países vulneráveis» - como acontecimentos inesperados podem ainda causar turbulências graves, e com efeito de contágio, na zona euro, mas acredita que «um progresso rápido na reforma institucional e estrutural pode melhorar as condições financeiras e a confiança», dotando a zona euro da capacidade para superar os riscos e melhorar a atividade económica.