Se o Governo está "tranquilo", o Presidente da República também parece estar, já que não prevê "problemas" com a Comissão Europeia relativamente ao Orçamento do Estado. Isto depois de divulgadas as previsões de Bruxelas para a economia portuguesa, com a Comissão a não acreditar na meta de redução do défice para 1% estimada pelo Governo.

Em declarações à agência Lusa à chegada para a apresentação do novo livro de Diogo Freitas do Amaral, que decorre em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre as previsões de outono hoje conhecidas.

Não prevejo problemas em relação ao Orçamento com a União Europeia. A previsão em relação ao crescimento é claramente acima do que tinha sido a previsão anterior e até acima da previsão do Governo. Naquilo que respeita ao défice orçamental, é acima, e portanto menos bom do que o défice para o ano apontado pelo Governo no orçamento (1%)".

No entanto, continuou o Presidente da República, a experiência tem "mostrado que se o cenário económico for o mesmo - e até agora não há razões para acreditar que não seja o mesmo, com uma ligeira desaceleração - que não seja possível chegar a um défice que seja próximo de 1% e portanto melhor do que aquele para que aponta agora a União Europeia".

Ficou preocupado com os avisos de Bruxelas de que redução do défice é "sobretudo cíclica"? Marcelo Rebelo de Sousa foi perentório em responder que não, uma vez que "é verdade que a conjuntura tem sido favorável, mas isso para todos os países".

Aquilo que pode haver de chamada de atenção relativamente à rigidez orçamental, eu penso que o Governo tem a noção disso, a Assembleia da República tem a noção disso e tem a noção de que uma coisa é a situação num ano como o ano de 2017 ou eventualmente 2018 e outra realidade será numa conjuntura económica menos favorável".

Para o chefe de Estado, se isso acontecer, "é inevitável que o orçamento tenha de se ajustar a essa nova realidade".