O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu esta terça-feira em alta a estimativa de crescimento da economia portuguesa deste ano para 2,4%, mas continua a estimar que o PIB avance 1,8% em 2019, abaixo do previsto pelo Governo.

De acordo com o ‘World Economic Outlook’ (WEO), relatório com previsões económicas mundiais divulgado hoje, o FMI melhorou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português, de 2,2% para 2,4%.

Esta nova previsão fica ligeiramente acima do estimado pelo Governo, que prevê que a economia portuguesa cresça 2,3% no conjunto deste ano, segundo o Programa de Estabilidade 2018-2022 entregue na sexta-feira à Assembleia da República.

No entanto, para o próximo ano, o FMI mostra-se menos otimista do que o executivo liderado por António Costa, mantendo a estimativa de crescimento do PIB em 1,8%.

No Programa de Estabilidade, o Governo estima que a economia cresça acima de 2% até 2022, avançando 2,3% em cada um dos anos até 2020, e abrandando em 2021 e novamente em 2022, ao crescer 2,2% e 2,1%, respetivamente. O FMI contraria estas previsões e diz que é já em 2019 que a economia abranda.

Por outro lado, o Fundo está mais otimista do que o Governo no que diz respeito à redução do desemprego, estimando que fique abaixo dos 7% já em 2019, um ano mais cedo.

No WEO, o FMI prevê que a taxa de desemprego desça para 7,3% este ano e para 6,7% no próximo.

O Governo, por sua vez, antecipa que a taxa de desemprego se reduza para 7,6% este ano e para 7,2% no próximo, descendo para 6,8% em 2020, para 6,5% em 2021 e para 6,3% em 2022.

Ao contrário do executivo, o FMI estima que saldo da balança corrente se deteriore, representando um excedente de 0,2% do PIB este ano e um défice de 0,1% do PIB em 2019.

No Programa de Estabilidade, prevê-se que o excedente da balança corrente cresça para 0,7% do PIB este ano, mantendo-se nesse valor até 2020 e reduzindo-se até 0,4% do PIB em 2022.

 

Zona euro cresce 2,4% este ano

O FMI também reviu em alta a estimativa de crescimento da economia do conjunto da zona euro para 2,4% este ano, continuando a prever um abrandamento em 2019.

De acordo com o relatório, o FMI melhorou em 0,2 pontos percentuais a estimativa de crescimento económico da zona euro, esperando agora que cresça 2,4%.

Para o ano seguinte, o Fundo mantém a estimativa mais recente, apresentada em janeiro, e que aponta para um crescimento económico da zona euro de 2%.

O FMI afirma que as novas previsões refletem uma procura interna "mais forte do que o esperado" em toda a zona da moeda única e melhores perspetivas de procura externa.

O crescimento de médio prazo na zona euro deverá rondar os 1,4%, com os baixos níveis de produtividade, um "ímpeto de reformas fraco" e uma "demografia desfavorável" a impedirem que a economia apresente níveis de crescimento mais elevados, segundo o FMI.

Entre as principais economias da zona euro, a Alemanha deverá crescer 2,5% este ano e 2% no próximo – com uma revisão em alta em 0,2 pontos percentuais este ano e uma manutenção da estimativa de crescimento de 2019.

Segundo o Fundo, a economia de França deverá acelerar este ano, crescendo 2,1%, depois de ter avançado 1,8% em 2017, e abrandar ligeiramente no próximo, crescendo 2% (com revisões em alta ligeiras para cada um dos anos).

Itália deve continuar a crescer abaixo de 2%: este ano mantém o ritmo de crescimento nos 1,5% e no próximo cresce apenas 1,1%, de acordo com as previsões do FMI.

Já Espanha deverá crescer acima da média europeia este ano e no próximo, crescendo 2,8% e 2,2%, respetivamente. A previsão do FMI para a subida do PIB espanhol deste ano foi revista em alta em 0,4 pontos percentuais.

Na zona euro, vários países já esgotaram a sua margem orçamental e devem apostar numa consolidação gradual de uma forma 'amiga do crescimento' e faseada para reconstruir 'almofadas financeiras'", defende a instituição liderada por Christine Lagarde.

Em Itália e Espanha, por exemplo, os níveis elevados de dívida pública e as tendências demográficas desfavoráveis "exigem uma melhoria nos saldos estruturais primários [que excluem os efeitos do ciclo económico e dos encargos com a dívida] para colocar a dívida numa trajetória de redução firme".

Por outro lado, escreve o Fundo, a Alemanha "tem uma margem orçamental que deve ser usada para aumentar o investimento público em áreas que vão aumentar o crescimento potencial, pela melhoria da produtividade e pela melhoria da participação das mulheres e dos imigrantes no mercado de trabalho".

Para o Fundo, uma área importante para o investimento público da Alemanha seria "mais importações do resto da zona euro, o que facilitaria o rebalanceamento da procura entre a zona euro".