O défice de Portugal para este ano vai situar-se nos 3,1% e não nos 2,7 como o Governo prevê, segundo as previsões divulgadas nesta terça-feira pela Comissão Europeia, mas para o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, “não é impossível” ficar abaixo dos 3,1%, simplesmente "tem de ser feito".

“Como sabem, a previsão do défice orçamental é de 3,1 em 2015 e 2,8 em 2016. Obviamente, isto não significa que será impossível ficar abaixo do 3% este ano. Vamos ver se devido a melhores condições de crescimento ou medidas adicionais pode ser feito, mas tem de ser feito”, avisou Pierre Moscovici.



Para 2015, o Governo português antecipa um défice de 2,7%, estimativa em que nenhuma instituição internacional acredita. A confirmar-se, o país só vai cumprir o limite das regras europeias e sair do procedimento de défice excessivo em 2016.

Nas previsões de primavera divulgadas em Bruxelas, o défice estimado de 3,1% em 2015 representa, ainda assim, uma melhoria em relação à estimativa anterior.

"A ligeira melhoria em relação à previsão de inverno resulta da revisão das perspetivas macroeconómicas. Em particular, e devido ao consumo privado e ao emprego mais elevados, prevê-se que as receitas tanto dos impostos indiretos como dos diretos, bem como as contribuições sociais, aumentem ligeiramente", lê-se no relatório.

Em linha com a previsão governamental está a estimativa de crescimento para 2015 e que é de 1,6%. Já para 2016 a Comissão Europeia mostra-se menos otimista, prevendo um crescimento de 1,8% contra os 2% antecipados pelo Executivo português. 


Bruxelas afirma que o crescimento económico está a "ganhar impulso" e que a procura doméstica deverá ser "o principal motor do crescimento", ainda que "o impacto negativo das exportações líquidas se desvaneça ao longo do horizonte da previsão".

Já o desemprego deverá ficar nos 13,4%, em linha com o estimado pelo Governo e em linha também com as anteriores previsões divulgadas em fevereiro.

Quanto ao mercado de trabalho, Bruxelas prevê que, depois de uma criação de emprego "relativamente forte" em 2014, se verifique uma desaceleração para os 0,6% em 2015 e para os 0,7% em 2016.