Uma boa e uma má notícia. Começamos pela pior: o Banco de Portugal está mais pessimista em relação ao crescimento da economia portuguesa, revendo a expansão do PIB de 1,3% para 1,1% este ano. Porém, quanto ao défice, se já acreditava que ficasse abaixo dos 3%, agora já antecipa que a meta dos 2,5% definida pela Comissão Europeia é possível. 

O objetivo anual estabelecido pelo Conselho para o défice de 2016 parece exequível. Contudo, deve sublinhar-se que a execução no segundo semestre não está isenta de riscos, sendo afetada por diversos fatores, como a entrada em vigor tardia do orçamento e o impacto de medidas de política orçamental".

 

O benefício da dúvida que transparece nas previsões do Banco de Portugal vem acompanhado de vários avisos, como se vê.

E em mais do que uma passagem do Boletim Económico de outubro. "A evidência disponível para o primeiro semestre parece sugerir que o objetivo para o défice estabelecido pelo Conselho da União Europeia para o conjunto de 2016 pode ser atingido, devendo sublinhar-se, contudo, que a execução orçamental no segundo semestre continua a ser muito exigente e sujeita a fatores de risco não negligenciáveis".

A dívida pública é preocupante e merece novo alerta da instituição liderada por Carlos Costa, ao dizer que o nível é ainda "muito elevado" e "a trajetória ainda não claramente descendente, o que reforça a importância de cumprir os compromissos assumidos no âmbito das regras orçamentais europeias".

Para além disso, "permanece uma elevada incerteza quanto ao comportamento da receita fiscal líquida de reembolsos, em particular por via do impacto das medidas adotadas e dos desenvolvimentos macroeconómicos, bem como da despesa pública".

Ora, receita e despesa são os itens essenciais que resultam em défice, caso a segunda seja maior do que a primeira. E défice é algo que claramente a economia portuguesa tem. Há é o objetivo de sair do Procedimento por Défices Excessivos (a lista negra acima dos 3%). Nisso, interna e externamente há uma sintonia nas previsões de que o défice ficará abaixo do patamar.

O primeiro-ministro tem dito que vai ficar "confortavelmente abaixo dos 2,5%". O Banco de Portugal vê a meta dos 2,5% ao alcance, algo em que o Presidente da República também acredita.

Outros dados


O Boletim Económico do Banco de Portugal prevê ainda que as exportações de bens e serviços cresçam 3,0% em 2016, abaixo dos 6,1% registados em 2015.

Para o menor dinamismo das exportações de bens e serviços deverá contribuir a desaceleração da procura externa, a forte queda das vendas para mercados extracomunitários como Angola e, em menor grau, China, bem como a evolução negativa das exportações de bens energéticos. Não obstante, importa sublinhar o dinamismo das exportações de bens não energéticos, que deverão apresentar em 2016 um crescimento superior ao observado no ano anterior, bem como o forte crescimento das exportações de turismo".

O consumo privado projeta-se uma desaceleração de 2,6% em 2015 para 1,8% em 2016, "mantendo, ainda assim, um ritmo de crescimento superior ao do PIB".

Quanto ao investimento, antecipa-se uma redução de 1,8%, após um crescimento de 4,5% em 2015.