A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê uma retoma «lenta» da economia da zona euro, exatamente em linha com as recentes projeções da Comissão Europeia, e alerta para os riscos de uma deterioração das perspetivas económicas.

Segundo as previsões da OCDE divulgadas esta terça-feira em Paris, a economia da zona euro «fechará» o corrente ano de 2014 com um crescimento de apenas 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), que se intensificará, ainda que de forma moderada, em 2015 (1,1%) e em 2016 (1,7%), exatamente os mesmos valores projetados pela Comissão Europeia nas previsões económicas de outono divulgadas no início do mês.

A OCDE aponta que a zona euro estagnou no segundo trimestre de 2014, «e a retoma subsequente é fraca e frágil», alertando a organização que os riscos (reais) de deterioração da situação económica poderão levar a uma retoma ainda mais lenta, projetando, num cenário pessimista, uma revisão em baixa dos números do crescimento na ordem do meio ponto percentual no próximo ano e de um ponto percentual em 2016, o que levaria a que o crescimento fosse, nos próximos dois anos, de 0,7%.

«O investimento e a confiança estão baixos e caíram desde a primavera de 2014, refletindo riscos geopolíticos significativos e incertezas acerca da força subjacente da economia da zona euro e das perspetivas da economia mundial», sustenta a OCDE, que dá também conta do ressurgimento de «inesperadas fraquezas» de algumas das principais economias da zona euro em 2014.

Um dos grandes problemas assinalados pelo documento da OCDE é o de uma inflação considerada «demasiado baixa», defendendo a organização que o Banco Central Europeu (BCE) deve continuar a intervir e a expandir o seu apoio monetário.

Outros travões a um crescimento mais rápido e sustentado da economia da zona euro são os níveis elevados de dívida (pública e privada), as condições apertadas de acesso ao crédito e o alto desemprego, prevendo a OCDE que esta última taxa continue bastante elevada e com reduções muito ligeiras: 11,6% em 2014, 11,1% em 2015 e 10,8% em 2016, valores até ligeiramente mais otimistas que os da Comissão Europeia (respetivamente 11,6%, 11,3% e também 10,8%).

Por fim, a OCDE observa também que o ritmo da consolidação orçamental abrandou consideravelmente, reduzindo de forma significativa um dos obstáculos ao crescimento, e defende que os países devem aproveitar todo a margem de manobra disponível no quadro das regras orçamentais da União Europeia para prevenir ciclos de contração orçamental, e devem permitir que os estabilizadores automáticos funcionem na sua plenitude.