O banco norte-americano Morgan Stanley questionou esta segunda-feira as previsões económicas elaboradas pelo Governo português, alertando para os riscos da estabilidade governativa do país.

Num relatório enviado aos seus clientes, citado pela agência EFE, o Morgan Stanley sublinha que se o seu prognóstico se materializar e Portugal não cumprir com os seus objetivos de redução do défice, Bruxelas poderá exigir ao país ajustamentos adicionais, o que “colocaria o Executivo socialista sob pressão”.

“O Governo minoritário de Portugal está preparado para aplicar medidas adicionais de austeridade no caso de uma derrapagem da sua trajetória orçamental, mas até que ponto conseguirá fazê-lo ao mesmo tempo que mantém o apoio dos partidos da extrema esquerda. Isso é algo que vamos ver”, questionam os analistas do banco norte-americano.

Na sua opinião, “a falta de reformas no país está a tornar-se num fator preocupante” e ainda que a anulação gradual de várias medidas de austeridade “ajudará ao consumo”, também poderá “pôr em perigo a melhoria da competitividade” registada em anos anteriores.

As projeções económicas da Morgan Stanley são mais pessimistas do que as do Governo português, já que estima uma subida do PIB para 2016 de 1,3%, cinco décimas abaixo das do Executivo.

Ao nível do défice público, que o Governo português se compromete a reduzir até aos 2,2% do PIB, o Morgan Stanley aponta para que se situará em torno dos 3%.

“Portugal está a caminhar num terreno incerto”, é o título do relatório do banco norte-americano, com a instituição a esperar “que a recuperação continue” mas a um ritmo mais lento.