A Comissão Europeia continua a prever um défice das contas públicas portuguesas acima de 3% este ano.
 
Nas previsões de primavera divulgadas esta terça-feira em Bruxelas, a comissão estima que o défice atinja os 3,1% em 2015, o que representa uma melhoria em relação à estimativa anterior (3,2%), mas ainda assim, acima da previsão do Governo.

Para 2015 o Governo antecipa um défice de 2,7%,  estimativa em que nenhuma instituição internacional acredita
 
A confirmar-se, o país só vai cumprir o limite das regras europeias e sair do procedimento de défice excessivo em 2016.

"A ligeira melhoria em relação à previsão de inverno resulta da revisão das perspetivas macroeconómicas. Em particular, e devido ao consumo privado e ao emprego mais elevados, prevê-se que as receitas tanto dos impostos indiretos como dos diretos, bem como as contribuições sociais, aumentem ligeiramente", lê-se no relatório.

Economia deverá crescer 1,6% este ano 

A Comissão Europeia espera que Portugal cresça 1,6% este ano, em linha com a previsão governamental, mas está menos otimista do que o Executivo para 2016, prevendo um crescimento de 1,8%, contra os 2% antecipados pelo Governo.

Nestas previsões, os técnicos europeus antecipam que o PIB real cresça 1,6% em 2015, uma previsão que confirma a apresentada em fevereiro e que coincide com a do Governo.

Para 2016, Bruxelas antecipa que a economia portuguesa cresça 1,8%, uma décima de ponto percentual acima do que o antecipado nas últimas projeções económicas mas dois pontos abaixo da estimativa do Governo, que espera um crescimento de 2% no próximo ano.

Bruxelas afirma que o crescimento económico está a "ganhar impulso" e que a procura doméstica deverá ser "o principal motor do crescimento", ainda que "o impacto negativo das exportações líquidas se desvaneça ao longo do horizonte da previsão".

Já o desemprego deverá ficar nos 13,4%, em linha com o estimado pelo Governo e em linha também com as anteriores previsões divulgadas em fevereiro.

Já no próximo ano, o desemprego deverá fixar-se nos 12,6%, números que também mantêm a previsão avançada por Bruxelas em fevereiro.

Quanto ao mercado de trabalho, Bruxelas prevê que, depois de uma criação de emprego "relativamente forte" em 2014, se verifique uma desaceleração para os 0,6% em 2015 e para os 0,7% em 2016.


Bruxelas revê em alta retoma europeia

A Comissão Europeia reviu ainda em alta as previsões de crescimento na zona euro e na União Europeia este ano, esperando agora que atinja 1,8% e 1,5%, respetivamente, acelerando para 2,1 e 1,9% em 2016.

Nas previsões, o executivo comunitário “acrescenta” uma e duas décimas às projeções de inverno publicadas há exatamente três meses (estimava então um crescimento de 1,7% na União Europeia [UE] e 1,3% no espaço da moeda única), apontando que “o crescimento económico da UE beneficia atualmente de condições económicas favoráveis”, que estimulam uma retoma que, “ainda assim”, reconhece Bruxelas, “permanecerá tímida”.

Relativamente a 2016, a Comissão mantém as projeções de um crescimento de 2,1% para o conjunto da UE e de 1,9% para a zona euro, os mesmos valores apontados em fevereiro.

Bruxelas reforça o otimismo de inverno ao referir-se a “ventos favoráveis” para a economia europeia, considerando que o motor de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será a procura interna, como resultado da (esperada) aceleração do consumo privado este ano e do aumento significativo do investimento no próximo ano.

A Comissão espera também uma melhoria, embora lenta, da situação no mercado de trabalho, com um recuo da taxa de desemprego este ano para 9,6% na UE e 11,0% na zona euro (em ambos os casos menos duas décimas comparativamente às projeções de inverno), e para os 9,2% e 10,5% em 2016, assim como uma progressiva redução dos défices e dívida públicos dos Estados-membros.

Já ao nível da inflação, Bruxelas prevê que esta deverá permanecer quase nula no primeiro semestre deste ano, sob o efeito da queda dos preços da energia, mas deverá crescer no segundo semestre, e de forma ainda mais acentuada em 2016, devendo a inflação anual tanto na UE como na zona euro passar de 0,1% este ano para 1,5% no próximo.