Et voilà. Mário Centeno tocou o sino, na embaixada de Portugal em Paris, e já é presidente do Eurogrupo. Diz-se preparado, motivado e com "boa disposição" para começar este novo desafio. Não respondeu diretamente aos jornalistas se este é o maior desafio profissional da sua vida, mas garantiu que o vai encarar de forma séria. 

Tomo este desafio presente com algo muito sério, mas para o qual tenho uma grande motivação. Conto com equipa muito diligente e eficiente quer em Portugal, quer enquanto presidente do Eurogrupo, para atingir os objetivos".

O ministro das Finanças de Portugal garante que fez o seu trabalho de casa, desde que foi eleito em dezembro. "É preciso estar preparado. Aquilo que posso neste momento de forma muito simples referir, eu creio que fiz essa preparação. Tenho, enfim, um trabalho que todos podem avaliar como ministro das Finanças de Portugal. Neste momento, empresta-se um pouco essa preparação nesta presidência do Eurogrupo que é também muito importante para Portugal, que tem muito a ganhar com a superação destes desafios".

Desafios

Os desafios passam por "concluir marcos muito importantes" como a união bancária e de capitais e discutir um eventual fundo monetário europeu "que promova o crescimento e promova a estabilidade". Com consensos.

"Precisamos de juntar as vontades nacionais (...) àquilo que é necessidade institucional de construir uma área mais forte. As questões orçamentais no centro desta discussão. Iniciámos já há bastante tempo discussão sobre regras orçamentais (...) e sobre a capacidade de serem entendidas pelos cidadãos", começou por dizer.

Devemos continuar discussão é vontade que tenho recebido de todos: saber se a UE deve ou não ter capacidade orçamental autónoma [o tal FMI europeu], um debate longo que estando em cima da mesa. Comprometo-me a tê-lo com todos: sempre com um objetivo, criar consensos e que sejam equilibrados".

Desafios para a Europa e desafios, naturalmente, para Mário Centeno. Será o maior desafio profissional da vida? O ministro riu um pouco e respondeu ao corresponde da TVI em Bruxelas, Pedro Moreira, dizendo que "enfrentamos nas nossas vidas desafios que vamos superando". Ambicionará voos mais altos? Daqui a dois anos e meio, no final do mandato (e isto se continuar a ser ministro das Finanças de Portugal depois das legislativas de 2019), logo saberemos.

Cansaço, ainda por cima acumulando funções, há? Novamente primeiro alguns risos e, depois, a forma como vê as coisas.

O cansaço é o que sobra da nossa disponibilidade. E há muita disponibilidade e motivação para o fazer. Isto é sempre um trabalho de equipa. Conta e tem de contar com a capacidade de liderança em cada um dos países. Vou emprestar o meu entusiasmo e a minha maneira de pensar a economia e a Europa nesta fase crucial da sua construção, com boa disposição".

Mãos-à-obra nas "avenidas" europeias

Já se reuniu com o presidente francês, Emmanuel Macron, e na segunda-feira com o vice-presidente da Comissão Europeia para o Euro, Valdis Dombrovskis. Foram "visitas de troca de impressões, de trabalho",  que correram "muito bem".

Já esta sexta-feira à tarde, indicou Centeno, vai encontrar-se com o ministro das Finanças de França, de quem já recebeu o "forte compromisso e muito firme no desenho de uma execução orçamental que leve França a sair do Procedimento por Défices Excessivo", do qual Portugal saiu este ano. "Partilhámos preocupação mas também ambição. Vamos ser muito pragmáticos, porque o que é verdadeiramente importante é apresentar resultados e desenvolver novas avenidas, eu diria, de debate e negociação".