A saída do Chipre caso a Grécia abandone a zona euro já terá sido discutida pelo Eurogrupo, segundo avança a revista alemã «Der Spiegel» esta sexta-feira. De acordo com a revista, os responsáveis europeus colocam todos os cenários em perspetiva e não descartam a saída dos dois países, que estão ligados economicamente. 

Klaus Regling, o líder do Mecanismo Europeu para a Estabilidade, declarou à revista que uma saída da Grécia da zona Euro seria a solução mais cara de todas as possibilidades existentes para solucionar o problema da dívida grega.

«Uma saída da Grécia seria a mais cara de todas as soluções possíveis» , destacou Regling.

A notícia surge depois de o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, ter afirmado que está «pessimista» quanto à possibilidade de um acordo com a Grécia na reunião prevista para segunda-feira em Bruxelas.

«Nesta fase estou muito pessimista quanto a isso», afirmou Dijsselbloem, esta sexta-feira, em declarações à televisão pública holandesa NOS e em alusão a um acordo no encontro de ministros das Finanças da zona euro na segunda-feira.

«Os gregos têm grandes ambições mas as possibilidades, dado o estado da economia grega, são limitadas», declarou.

O programa de assistência financeira à Grécia chega ao fim no próximo dia 28 e o novo Governo grego recusa prolongá-lo.

O governo liderado por Alexis Tsipras exige um novo programa com condições diferentes e quer pôr fim à austeridade que tem sido imposta desde 2010 e que teve grandes consequências no plano social.

Os europeus querem que a Grécia prolongue o programa para se financiar a curto prazo, antes do início de negociações sobre a dívida do país, superior a 175% do Produto Interno Bruto (PIB).

Depois de uma reunião do Eurogrupo sem resultados, na quarta-feira, Tsipras e Dijsselbloem concordaram, no dia seguinte, iniciar os trabalhos tendo em vista encontrar «uma base comum» entre o atual memorando e as propostas de Atenas.

«Só emprestamos dinheiro quando forem alcançados progressos e quando foram implementadas novas reformas, o que não tem acontecido há meses», disse o presidente do Eurogrupo.

«É o Governo grego que tem de dar o primeiro passo», acrescentou, lembrando que o Governo de Atenas «tem sido muito claro quanto à intenção de não renovar o programa tal como está».

O Eurogrupo também tem sido «muito claro quanto à ausência de qualquer possibilidade de mudanças no programa a não ser que ele continue», afirmou Dijsselbloem.

Segundo a AFP, um alto responsável europeu que falava sob anonimato afirmou que a hipótese de não prolongar o atual programa e discutir um novo é «uma opção».