O anterior ministro das Finanças Vítor Gaspar defendeu esta quinta-feira uma política monetária «focada no objetivo de estabilidade de preços», considerando que o plano Juncker pode ser «embrião» de iniciativas europeias contra a baixa inflação na zona euro.

Na conferência «Futuro de Portugal», que decorre esta tarde na Universidade Católica em Lisboa, o diretor do departamento de Assuntos Orçamentais do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para «riscos e fraquezas» que persistem na zona euro, apesar dos «desenvolvimentos recentes mais positivos».

«Se se materializarem choques negativos sobre o nível de preços é necessário que a política monetária continue focada no objetivo de estabilidade de preços e evite o risco de inflação demasiado baixa ou de deflação», afirmou Vítor Gaspar.

O ex-ministro das Finanças defendeu que «é necessário que a política orçamental esteja disponível para desempenhar um papel de suporte e, neste contexto, a forma de política orçamental mais prometedora é uma iniciativa a nível europeu, da qual o plano Juncker poderá ser um embrião».

Na conferência, que é organizada em memória do economista António Borges, Vítor Gaspar defendeu ainda que «a resposta política na Europa deve envolver políticas estruturais que melhorem a competitividade e aumentem o crescimento potencial».


O Banco Central Europeu (BCE) reviu hoje em baixa a previsão para a inflação para 2015, estimando agora que exista uma estagnação dos preços este ano, contra a anterior estimativa de um aumento de 0,7%.

Por outro lado, a instituição monetária presidida por Mario Draghi reviu em alta as previsões de crescimento da zona Euro para 2015, de 1% para 1,5%.

A taxa de inflação anual da zona euro fixou-se nos -0,3% em fevereiro, face aos -0,6% de janeiro, segundo a estimativa rápida que o Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da União Europeia, divulgou na segunda-feira.

A taxa de inflação anual entrou em valores negativos em dezembro pela primeira vez desde outubro de 2009.

O BCE tem como principal objetivo ter, a médio prazo, uma taxa de inflação próxima, mas abaixo, de 2%.