Quando o preço do petróleo dispara, logo surge o alerta sobre a provável subida dos preços dos combustíveis. E, desta vez, com o acordo histórico anunciado pela OPEP para limitar a produção de crude, o que não acontece desde 2008, há preocupações acrescidas.

Só ontem, em poucas horas, o barril de Brent negociado em Londres, aquele que serve de referência para Portugal, disparou 6% subindo de perto dos 47 dólares para ultrapassar o patamar dos 48 dólares. E isso é um fator determinante para o cálculo daquilo que os consumidores vão pagar na hora de abastecer os seus veículos. 

A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), pela voz do seu vice-presidente, Francisco Albuquerque, alerta precisamente para esta questão, pedindo ao Governo uma política “racional e responsável” no setor.

Para já, há sinais contraditórios por parte da Noruega, por exemplo, que também é produtor, e da Rússia, que não se sabe se irá avançar ou não. Apesar de tudo, é normal que, caso o acordo (OPEP) realmente aconteça, os preços subam”.

“Apelamos ao Governo para se esforçar por seguir uma política racional e responsável num setor tão estratégico e fundamental para o nosso país como é o setor dos combustíveis”, acrescentou, em declarações à Lusa.

Aumento do ISP já veio complicar: e agora?

Tendo em conta o anúncio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e face à previsível nova conjuntura, Francisco Albuquerque salientou que o mais preocupa os revendedores são exatamente as políticas do Governo português para o setor, considerando que “de forma alguma se deveria voltar a subir a taxa de ISP”, isto é, o imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos.

A ANAREC defende que se deveria rever a medida de incorporação de biocombustíveis, “não aumentando a sua percentagem de incorporação”, já que esse aumento vai contribuir para a subida do preço dos combustíveis em 2017.

Quanto à decisão da OPEP, Francisco Albuquerque indicou que nada está decidido quanto à produção, uma vez que para novembro está agendada uma nova reunião, havendo várias questões em cima da mesa.

Os países da OPEP fornecem cerca de 40% da oferta mundial de crude. A organização deve reduzir a produção para 32,5 milhões de barris por dia face aos atuais 33,24 milhões, o que significa uma diminuição de 750 mil barris/dia em relação ao mês de agosto.

A decisão foi tomada em Argel, numa reunião informal da organização, para debater um eventual congelamento da produção e tentar fazer subir as cotações do petróleo. O acordo deverá ser aprovado em Viena, a 30 de novembro deste ano.