A taxa de inflação em Portugal abrandou duas décimas em julho, para 0,8%, face ao mesmo mês do ano passado, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE). O indicador de inflação subjacente, que exclui energia e produtos alimentares, normalmente mais voláteis, ficou-se pelos 0,5%, desacelerando uma décima.

A contribuir para o abrandamento da taxa esteve o Vestuário e calçado, cujos preços caíram 1,2% face ao mesmo mês de 2013. Também a classe dos Bens e serviços diversos registou uma descida de 1,3%.

Os preços só não desaceleraram mais devido aos Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas , que ficaram 2,5% mais caros, sobretudo devido à fruta e batatas.

Na comparação mensal, por seu lado, os preços caíram 0,2% face a junho, depois de ainda terem subido uma décima no mês anterior. A queda dos preços deveu-se sobretudo ao Vestuário e calçado, onde os preços afundaram 9,1% face a junho, o que «é explicado pelo início do período de saldos». Em sentido inverso, os Transportes, que encareceram 2,3% no mês em causa, impediram uma maior queda.

A taxa de inflação média dos últimos doze meses abrandou uma décima em julho para 1,3%, sobretudo devido às despesas com habitação. O indicador de inflação subjacente, que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, geralmente mais voláteis, situou-se nos 0,6%, também uma décima abaixo do registado no mês anterior.

«A principal redução na taxa de variação média dos últimos doze meses, comparativamente com junho de 2013, ocorreu na classe da Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis , com uma redução de 0,7 p.p. para 4,5%», explica o INE.

«À semelhança dos meses anteriores, estes resultados continuam a ser influenciados, em grande medida, pela dissipação de diversos efeitos que estavam a influenciar o comportamento dos preços, destacando-se a alteração da taxa do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) do gás natural e da eletricidade de 6% para 23% em outubro de 2011, cujo efeito em termos de variação homóloga se anulou em outubro de 2012», acrescenta.

Em sentido oposto assinala-se a diminuição menos acentuada da taxa de variação média dos últimos doze meses na classe da Saúde, situando-se em -0,7% no mês de julho (-1,1% em junho de 2013).

Em termos harmonizados, que permite a comparação direta com os parceiros europeus, a taxa média dos últimos 12 meses situou-se em 1,4%. Já a taxa homóloga foi de 0,8% e a mensal de -0,2%.