O presidente da associação de transportadoras defende que a descida do preço dos combustíveis verificada nos últimos meses não deve provocar um embaratecimento dos transportes e, consequentemente, dos bens porque o contrário também não aconteceu.

Apesar de o preço dos combustíveis gasóleo e gasolina estarem atualmente em níveis idênticos aos praticados em 2011 – prevendo-se uma nova descida na segunda-feira -, Mário Lopes considerou que as transportadoras não devem baixar os valores que cobram.

O facto de o preço do combustível baixar «é bom porque há muitas empresas que vão conseguir superar e manter-se no mercado. Se não fosse isso, muitas empresas já tinham ido à falência», argumentou o presidente da Associação Nacional de Transportadoras Portuguesas.

«Neste momento, há muitas empresas que estão a ganhar o tal fôlego e capacidade que deveriam ter tido todos estes anos», acrescentou, sublinhando que, quando os preços do combustível estavam a crescer, as transportadoras não puderam aumentar os valores cobrados e enfrentaram grandes dificuldades.

«As transportadoras nunca conseguiram imputar aos clientes o aumento que os combustíveis tiveram», disse Márcio Lopes, para quem a falta de um mecanismo de fiscalização que impeça a concorrência desleal é a principal causa do problema.

«A ANTP tem pedido para que o Governo faça um observatório dos preços para que não haja concorrência desleal. Em 2011, o Governo disse e assinou um memorando [prometendo] que o ia fazer, mas até hoje nada foi posto em prática», criticou.

Segundo explicou o responsável, a concorrência desleal que caracteriza o setor impede a variação dos preços dos transportes de bens consoante o dos combustíveis.

«Se [uma transportadora] chegar ao pé do cliente e pedir para levantar os preços porque o gasóleo subiu, é muito provável que vá lá outro [transportador] que ainda desça o preço que estava», concluiu.