Santos populares sem sardinhas não seria a mesma coisa, mas o negócio tem passado por várias dificuldades que, mesmo assim em nada justificam, por exemplo, que o quilo da sardinha chegasse a cerca de 10 euros em alguns mercados perto de nós.

A pesca da sardinha com cerco é uma das mais importantes da costa continental portuguesa e tem significativa relevância em termos socioeconómicos para algumas comunidades piscatórias, para a indústria conserveira e de transformação dos produtos da pesca para o comércio, para a gastronomia e para o turismo.

O Relatório do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) de julho de 2017 recomendava pesca “zero” para 2018. Mas Portugal conseguiu um plano "B". A pescaria teve início a 21 de maio e como primeira reação a Comissão Europeia aceitou a proposta de Portugal e Espanha de captura de 7.300 toneladas até 31 de julho (2/3 para Portugal e 1/3 para Espanha).  

A produção nestes anos têm sido submetida em um plano de gestão para a recuperação da sardinha que, por razões desconhecidas colapsou [não foi bem por não se conseguir reproduzir à velocidade a que era pescada], não tanto por sobrepesca, mas por fatores climáticos”, disse o presidente da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco. Humberto Jorge, no espaço da Economia 24 do “Diário da Manhã” da TVI.

Fatores que contribuíram para que Portugal reduzisse a captura de cerca de 60.000 para 15.000 toneladas, nos últimos cinco anos.

Agora qualquer aumento das capturas autorizadas terá de passar por um acordo com Espanha, e confirmação da Comissão Europeia, que detém o exclusivo da gestão dos recursos piscícolas vivos, respeitando a regra do Plano, o que só pode ser considerado depois de 13 de julho, data da publicação do aconselhamento científico. Ou seja, após os resultados da campanha de investigação da Primavera e relatório do ICES se confirmará os totais de capturas para 2018.

Humberto Jorge diz que este ano “há perspetivas de o recurso estar melhor. Quer pelos sinais que os nossos profissionais nos transmitem, quer pelos relatórios científicos [último de dezembro de 2017, em que aponta para um aumento da biomassa adulta bastante grande] e o da Primavera, estamos certos, vai apontar para um aumento ainda maior da biomassa”. Assim for, é possível ambicionar ultrapassar os limites estabelecidos. Para já, a pesca em Portugal é fechada quando o limite das capturas fixadas se esgotar.

Assim a frota, de cerca de 130 embarcações, continua limitada a um total de captura diária, à semelhança do que aconteceu nos últimos quatro anos.

No período compreendido entre 21/05/2018 e 08/06/2018 foram transacionados 1.689.404 quilos de sardinha nas lotas do continente português. Face ao período homólogo, e no contexto nacional, o volume transacionado recuou 174.761 quilos. Relativamente ao início da safra de 2017 (que ocorreu em 01/05/2017) foram transacionados menos 1.236.954 quilos.

Contudo, relativamente ao período homólogo, o valor de vendas aumentou cerca de 27%, passando de 1.778.077 euros em 2017 para 2.252.254 euros em 2018.

Será que é essa é a razão para a subida dos preços?

No período compreendido entre 21/05/2018 e 08/06/2018, o preço médio da sardinha no conjunto das lotas do continente português foi de 1,33€/kg (valor sem impostos e taxas), o que representa um aumento de 39,8% relativamente ao período homólogo (0,95€/kg). Comparativamente ao início da safra de 2017, o preço médio em lota aumentou 46% (0,91€/kg em 2017)

O preço médio mais elevado verificou-se na lota de Olhão: 1,97€/kg, com um aumento de 122% face a 2017.

O preço médio mais reduzido verificou-se na lota da Nazaré: 0,94€/kg, representando, contudo, um aumento de 29,2% face ao período homólogo.

O responsável da associação admite que nos últimos quatro anos “o preço aumentou consideravelmente”, mas, face a 2017, "o período ainda é pequeno para ser comparado porque começámos a nossa captura a 31 de maio para podermos gerir esta especificidade de pesca reduzida". Acresce que “basta estar um dia ou dois de mau tempo e as embarcações não irem ao mar, para a comparação não ser tão linear.”

Contas feitas, menos sardinha capturada, até ao momento, e preço mais elevado para o qual a qualidade do pescado também contribui.

“O preço, para já, deve-se sobretudo à qualidade da sardinha, que é maior. Nesta altura do ano, a sardinha maior é a mais procurada, para assar. E, enquanto no ano passado, só em determinados postos, ou zonas do país, é que existia esse tamanho de sardinha ideal, este ano verifica-se uma distribuição de sardinha grande um pouco por toda a costa [replicada por toda a costa aumenta o preço médio].”

Já sobre se justifica o valor que na praça se paga por quilo, quase sempre acima de 6 e 7 euros…o responsável admite que pode haver picos de valores mais caros para os consumidores. Mas, “a produção coloca o pescado em primeira venda [Docapesca empresa do Estado] e aí o preço médio, apesar de superior ao ano passado, raramente tem ultrapassado os três euros por quilo. Por tanto, não há justificação para que em alguns pontos chegue a atingir os 10 euros por quilo na venda ao consumidor, como já me foi comunicado."

Para comprar mais barato pode procurar este símbolo: o comprovativo da compra em lota, que lhe mostra exatamente de onde veio o pescado.

Um pescado que, se tudo correr como se está a verificar, não terá nem tendência para acabar nem, pelo menos dos Santos, ser substituída pro carapau.