A seca que Portugal atravessa está a deixar a produção de eletricidade nas barragens está a níveis mínimos, para não comprometer o abastecimento de água para consumo humano. E isso pode vir a ter efeitos na fatura da luz paga pelos portugueses.

Sem água, a produção é desviada para fontes de energia mais caras o que, em última análise, pressiona uma eventual subida das tarifas de eletricidade.

Algumas barragens deixaram de mesmo produzir energia elétrica e as maiores estão muito abaixo da sua capacidade.

A albufeira do Zêzere, que abastece Lisboa, está a 70 por cento da capacidade.

Em Castelo de Bode, uma das maiores albufeiras do país, a produção elétrica está agora reduzida ao mínimo estabelecido nos acordos os rios ibéricos: 3 milhões de metros cúbicos por semana.

Outras encerraram a produção. É o caso da central de Vila-Tabuaço, no rio Távora, e a central de Santa Luzia. A água que ainda existe é só para garantir o consumo humano.

Outras fontes de energia são mais caras

A EDP desviou a produção de eletricidade das hídricas para o carvão, para o gás e para as renováveis. De tal forma que, a nível nacional, a produção de eletricidade nas barragens baixou 60% na comparação com o ano passado.

Já o carvão aumentou em 24% e o gás, nas centrais de ciclo combinado,  em 125%, face ao ano passado.

Bombagem dispara

Olhando para as estatísticas mais recentes da EDP, há um outro dado importante: o aumento 54% da bombagem este ano.

O que é? Trata-se de um mecanismo de reaproveitamento da água que serve para produzir eletricidade. Uma vez usada é novamente bombeada para a barragem, para evitar o desperdício.

Impactos ambientais

Acontece que o recurso ao carvão e ao gás pesa mais na balança do carbono e dos gases com efeito de estufa.

Nos primeiros nove meses deste ano, as emissões de co2 aumentaram cerca de 40% na Península Ibérica, sobretudo pelo uso do carvão e depois do gás na produção de energia elétrica.

A EDP viu a margem do negócio secar perto de 30% até setembro, o que pode então vir a pesar na fatura de eletricidade de famílias e empresas.

O ministro do Ambiente admitiu ontem, na TVI24, que o problema da seca vai demorar a resolver e que, se não chover, o próximo passo é levar água a Fagilde, em Viseu - o caso mais preocupante - por via ferroviária.

Mais de 90% do território está em situação de seca extrema e mesmo que começasse a chover seriam necessárias semanas para repor os níveis nas barragens e no solo. O Governo está a aplicar diversas medidas que diz ser de gestão: a mais radical será o racionamento.