O CaixaBank já apresentou a OPA obrigatória ao BPI, precisamente no dia em que os acionistas deram luz verde à desblindagem de estatutos. O banco espanhol reviu o preço oferecido, pagando mais agora para ficar com 100% do BPI.

O anúncio preliminar de lançamento da OPA - que se tornou obrigatória depois da decisão da assembleia geral de acionistas do BPI de desblindar os estatutos - demorou apenas algumas horas. No documento, refere-se que a oferta subiu 2,1 cêntimos por título, para 1,134 euros

"A contrapartida oferecida é de €1,134 (um euro e treze vírgula quatro cêntimos) por ação, a pagar em numerário, à qual se deduzirá qualquer montante (ilíquido) que venha a ser atribuído a cada ação, seja a título de dividendos, de adiantamento sobre lucros de exercício ou de distribuição de reservas, fazendo-se esta dedução a partir do momento em que o direito ao montante em questão tenha sido destacado das ações quando tal ocorrer antes da liquidação da Oferta", lê-se no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Quando anunciou a oferta, em abril, o CaixaBank dava 1,113 euros por ação

Ora, tanto a inicial como aquela que agora apresenta estão acima do valor de fecho de sessão (1,091 euros), na quarta-feira, do BPI na bolsa de Lisboa. A nova OPA está mesmo 4,3 cêntimos acima disso, o que em milhares de ações é muito dinheiro.

Esta quinta-feira, por decisão da CMVM, as ações estiveram suspensas durante todo o dia. A suspensão só foi levantada após o fecho da bolsa.

A contrapartida oferecida pelo CaixaBank "cumpre o disposto no artigo 188.º" do Código de Valores Mobiliários, segundo o refere o banco no mesmo comunicado:  "É igual ao preço médio ponderado das Ações no Euronext Lisbon nos seis meses imediatamente anteriores a 21 de setembro de 2016, que corresponde à data em que se constituiu o dever de lançamento, e é também mais elevada do que qualquer preço pago por ação neste mesmo período pelo Oferente ou por qualquer pessoa que, em relação a ele, esteja em alguma das situações referidas no n.º 1 do artigo 20.º do Cód.VM".

O presidente do banco espanhol mostrou-se satisfeito por a OPA poder avançar. Removido o obstáculo dos estatutos, tem tudo para dar certo.

A limitação desses direitos dava até agora ao CaixaBank, que tem mais de 45% das ações, um poder decisório de apenas 20%, similar ao do segundo acionista, a empresária angolana Isabel dos Santos, que detém 18,6% do capital através da empresa também angolana Santoro. E que, ao que a TVI apurou, se absteve na votação decisiva de hoje para o futuro do BPI.

O documento que anuncia a nova OPA 

OPA do CaixaBank sobre o BPI