A CGD vai avançar com rescisões por mútuo acordo, que se somam ao programa de pré-reformas já em vigor, para acelerar a saída de trabalhadores, segundo informação dada aos sindicatos.

Na tarde de quarta-feira, a administradora da CGD com o pelouro do pessoal, Maria João Carioca, reuniu-se com os sindicatos e comissão de trabalhadores representantes dos funcionários do grupo bancário para anunciar que o banco avançará com um programa de rescisões.

Segundo disse à agência Lusa, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Caixa, João Lopes, a administração da CGD não está a ter as adesões que necessitaria no programa de pré-reformas em vigor. Daí lançar o programa de rescisões para conseguir atingir o objetivo de este ano reduzir em mais de 500 pessoas o quadro de pessoal.

Aos trabalhadores que queiram aderir e que descontam para a Caixa Geral de Aposentações é oferecida uma indemnização de 2,1 meses por cada ano de trabalho, num máximo de cinco anos.

Já para os bancários mais recentes ou de empresas do grupo Caixa, que descontam para a Segurança Social, são oferecidos 1,6 meses por cada ano de serviço, num máximo de cinco salários.

Os trabalhadores poderão ainda manter algumas vantagens de crédito à habitação e serviços de saúde.

Promessas a Bruxelas

No âmbito da recapitalização da CGD, o banco público acordou com Bruxelas um programa de reestruturação que passa, entre outras medidas, pela saída de cerca de duas mil pessoas até 2020, através de pré-reformas e rescisões amigáveis, num ritmo de 500 a 600 por ano.

A CGD já tinha vindo a emagrecer a sua estrutura nos últimos anos, inclusivamente com a saída de trabalhadores.

No final de 2016, o banco detido a 100% pelo Estado tinha 8.133 trabalhadores em Portugal, menos 297 do que em 2015.

A CGD teve prejuízos de 38,6 milhões de euros no primeiro trimestre, que justificou com os custos extraordinários decorrentes do programa de pré-reformas e rescisões amigáveis que a está a implementar (com um impacto de 58 milhões de euros).

O plano de reestruturação da CGD implica ainda o encerramento de mais de 60 agências por todo o país, tendo  o banco apresentado aquilo que designa por "banco móvel", uma carrinha que prestará serviços bancários em zonas em que a CGD não tem agências.

Carrinha sem dinheiro

A carrinha da Caixa Geral de Depósitos que servirá as populações de localidades sem agências do banco público arrancará a operação no fim deste mês, mas não terá serviços de depósitos nem levantamento de dinheiro.

A informação foi dada pelo diretor de comunicação da CGD, Francisco Viana, na apresentação da carrinha na Feira do Livro, em Lisboa, tendo indicado que no balcão móvel não será possível depositar ou levantar dinheiro por questões de segurança.

Os serviços bancários disponíveis são os que não envolvem numerário, como simular operações de crédito, atualizar dados, pedir emissão de cartões, esclarecer dúvidas sobre produtos ou fazer pagamentos através do terminal do MB Spot.

Funcionários vão ajudar idosos

No caso de um cliente idoso, que habitualmente ia a uma agência da CGD levantar a reforma, não poderá fazê-lo nesta carrinha, segundo confirmou o responsável da CGD.

Sobre o facto de a carrinha não permitir realizar operações com dinheiro, Francisco Viana disse que o Banco de Portugal não deu autorização por questões de segurança.

Contudo, considerou que, se a carrinha estiver perto de um caixa automático, o funcionário poderá ajudar o cliente que estiver a ser atendido a fazer pagamentos e levantamentos, suprindo alguns serviços que o balcão móvel não tem.

Foi em abril que o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, anunciou no Parlamento que a instituição pediu autorização ao Banco de Portugal para ter um serviço móvel de balcões, com carrinhas que vão a zonas rurais prestar serviços bancários, nomeadamente onde o fecho de agências do banco deixou sem acesso a serviços populações mais idosas e sem facilidade em usar o portal do banco na Internet.

A carrinha será azul, com o símbolo da CGD e informa logo na lateral que "este veículo não transporta valores".

Francisco Viana explicou que, no final de junho, a carrinha iniciará atividade por um período de teste em que será avaliado quantos veículos faz sentido existirem no futuro e as localidades que servirão.

Para já, disse, ainda faltam as autorizações de entidades como câmaras municipais e juntas de freguesia para definir os sítios em que o balcão móvel poderá parar e ainda definir os horários em que estará disponível.

A carrinha contará com um trabalhador da CGD, da agência principal mais próxima da localidade em que está a operar em determinado dia, e ainda de um vigilante de uma empresa privada, que será também o condutor da carrinha, adiantou.