Dizendo-se preocupados com a situação política atual, os industriais disseram a Marcelo Rebelo de Sousa esperar que o Orçamento do Estado para 2017 inclua medidas que promovam o investimento e o crescimento económico.

O país carece de promover investimento e os empresários necessitam de um clima de confiança para que o investimento possa ocorrer, porque sem isso o crescimento não ocorre", afirmou o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva.

Vincou, contudo, que a CIP não está disponível para discutir medidas que revertam o que está em vigor, nomeadamente, no quadro laboral.

Não permitiremos qualquer reversibilidade [em sede de concertação social] nem o ataque que sentimos que está permanentemente a ser feito por alguns partidos à esquerda do PS, nomeadamente do BE, que tem sobre a iniciativa privada e os empresários uma leitura de diabolização como se o país vivesse sem empresas e sem aqueles que criam riqueza e emprego", avisou o presidente da CIP.

Comércio também preocupado

À semelhança do presidente da CIP, também o vice-presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Vasco de Mello, disse estar preocupado "relativamente ao estado político e económico do país" e "bastante preocupado com o crescimento que o país está a ter".

Achamos que o crescimento que vamos ter em 2016 não será o necessário e desejável para o país fazer face aos diversos compromisso que o Estado Português tem, também nos preocupa a eventualidade de sanções", disse o responsável, no final de uma audiência com o Chefe do Estado.

Para o dirigente da CCP, há também o receio face ao próximo Orçamento, sobre um eventual aumento da carga fiscal e uma diminuição do investimento.

Sem carregar tanto na nota da preocupação, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, preferiu não "antecipar crises" e aconselhou os portugueses a irem "gozar as férias a que têm direito".

Em termos políticos a nossa visão é simples: existe um Governo apoiado numa maioria parlamentar. Neste momento, o Governo está a governar. Iremos ter um Orçamento entre setembro e outubro e nesse momento é altura de analisar as Grandes Opções do Plano (GOP) e o OE. Neste momento as pessoas devem ir de férias", rematou.

Estabilidade tem um preço

No dia dedicado a ouvir os parceiros sociais, o Presidente da República recebeu também o líder da CGTP, que defendeu ser necessário que o governo oiça a central sindical, como forma de assegurar a estabilidade.

A vida já mostrou que quanto mais o Governo se deixar pressionar, em pior condição está para dar sequência aquilo que se propôs fazer com os restantes partidos da maioria que neste momento suporta a atividade governativa. Entendemos que este é o momento de haver uma posição muito clara na apresentação do OE em corresponder às necessidades dos trabalhadores e da população", referiu Arménio Carlos.

Para o secretário-geral da CGTP, "este é o momento para dar um salto qualitativo" e para romper com as políticas impostas pelo executivo anterior. Para Arménio Carlos, o aumento de salários e o fim da norma caducidade da contratação coletiva são matérias que devem constar do próximo orçamento.

Entendemos que a mudança tem de se concretizar, porque mais do que falar em mudança é preciso demonstrar que a mudança é possível", insistiu o dirigente sindical.

Arménio Carlos apelou, assim, ao governo para que não ceda a pressões externas e internas e para que ouça a CGTP com vista "a encontrar soluções para resolver os problemas do país", pois "com isso vai ter estabilidade".

Se até agora andámos com a primeira velocidade, neste momento temos de meter a segunda velocidade, é isso que exigimos ao Governo", rematou Arménio Carlos.