A introdução de combustíveis simples - não aditivados - em todos os postos de abastecimento já permitiu aos consumidores pouparem 168 milhões de euros desde que a lei entrou em vigor, há sete meses. O balanço é da Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis.

Segundo Filipe Meirinho, diretor da ENMC para a área petrolífera, houve um ganho de 168 milhões de euros nestes cerca de sete meses, acima das previsões do Governo que antecipava uma poupança cerca de 200 milhões de euros num ano inteiro. 

O responsável do organismo que tem a responsabilidade de aplicar e fiscalizar a legislação avançou que hoje a diferença de preço por litro de combustível simples e aditivado é em média de três cêntimos. Ao mesmo tempo, houve uma descida do preço dos combustíveis aditivados.

Já o presidente da APETRO, associação que representa as petrolíferas, desvalorizou os cálculos das poupanças. António Comprido argumentou que a comparação não pode ser feita porque a oferta mudou, tendo sido "limitada".

"Não posso comentar essas contas, porque não sei como é que foram feitas", alegou aos jornalistas, à margem da conferência, criticando ainda que se reduza o debate dos combustíveis "à questão dos preços".

Conforme a Lusa já tinha adiantado, a diferença de preço entre o combustível mais básico e o aditivado, designado por premium, baixou em média de sete para três cêntimos.

O presidente da ENMC, Paulo Carmona, realçou então que "o consumidor tem saído bastante beneficiado com esta agressividade comercial e o aumento de oferta".

A previsão desta entidade é que os combustíveis simples representem 86% das vendas totais de gasóleo e de gasolina estimadas para 2015 em Portugal, que deverá atingir os 8.384 milhões de euros.

Segundo os números divulgados hoje, os combustíveis simples deverão representar 7.215 milhões de euros de volume de vendas em 2015, enquanto os combustíveis aditivados se ficarão pelos 1.169 milhões de euros.

Em 2014, antes da entrada em vigor da lei que obriga à comercialização de combustíveis simples em todos os postos de abastecimento, estes combustíveis não aditivados representavam apenas 26% do volume total de vendas.

O combustível simples, que desde 17 de abril é obrigatoriamente vendido em todos os postos de abastecimento, é aquele que sai diretamente da refinaria para o consumidor, sem qualquer aditivação.

O Governo apresentou como primeiro objetivo do diploma, aprovado por unanimidade no parlamento no final de 2014, alcançar uma poupança para os consumidores, que, nos níveis de consumo atuais e segundo as contas do executivo, se traduziria em 200 milhões de euros por ano.