Um grupo têxtil, responsável pelo fornecimento das meias que os jogadores do FC Porto, Sevilha e Liverpool calçam, prevê investir, em Famalicão, 7,5 milhões de euros até 2017 e ajudar a criar cerca de 500 postos de trabalho.

Em causa está a recuperação de um "pequeno polo industrial", conforme descreveu à agência Lusa o administrador da empresa Manuel Fernando Azevedo S.A. (MFA), Manuel Azevedo, que adquiriu na zona de Avidos, Famalicão, distrito de Braga, as instalações da antiga FITOR, uma empresa "histórica" e "icónica" que chegou a empregar cerca de 2.000 funcionários no período de maior auge da área têxtil nesta região mas cessou atividade em 2013.

"Com a aquisição e recuperação do espaço prevemos investir 7,5 milhões de euros, estando cinco dos quais já investidos. A concretização deste projeto inclui a expansão da nossa atividade [fabrico de meias e peúgas funcionais e técnicas] e o aluguer de espaços a outras empresas. Não nos custa acreditar que o espaço venha a ter 500 postos de trabalho, 300 dos quais da responsabilidade direta do nosso grupo", disse Manuel Azevedo.


Segundo informação da autarquia de Famalicão são 55.000 metros quadrados de área de implantação, dos quais cerca de 32.000 cobertos, ou seja, este investimento coloca a salvo o medo de que o espaço, dado o fecho da antiga FITOR, se transformasse num cemitério industrial.

Exportadora de 100% da produção, com a Inglaterra como principal mercado, a MAF nasceu há 21 anos de um projeto familiar em Santo Tirso, mas conta "passar de uma faturação de 17 milhões de euros em 2014 para 25 milhões em 2017", afirmou Manuel Azevedo, baseando-se numa estimativa de produção anual de 30 milhões de pares contra os atuais 24 milhões que o grupo regista.

Grande parte do investimento está a ser canalizada para a unidade de acabamento e tricotagem onde estão a ser montados os primeiros 68 de um total de 192 teares.

O espaço foi hoje visitado por uma comitiva da câmara de Vila Nova de Famalicão presidida por Paulo Cunha, no âmbito do roteiro "Famalicão Made IN", tendo o autarca sublinhado que a autarquia "nunca ficará indiferente" a novos projetos que tenham "capacidade para gerar empregos estáveis".

Paulo Cunha também manifestou agrado pela MFA ter apontado a vontade de ser "uma espécie de extensão" do Instituto de Emprego e Formação Profissional por estar disposta a acolher nas suas instalações formação em contexto de trabalho.

"É para mim gratificante perceber que este parque secular e depositário das memórias de muitos famalicenses está hoje a ser reerguido e reanimado. Isso é muito importante para o património, para o ambiente e para os trabalhadores que estão a fazer pontes com o passado", disse o presidente da câmara.


Neste momento está em curso a requalificação de um "importante" acesso rodoviário à empresa.