O Sindicato da Construção disse à Lusa ter obtido da Soares da Costa a garantia que, “entre sexta e segunda-feira”, serão pagos os salários em atraso aos trabalhadores da empresa em Angola e em Portugal.

“Hoje o presidente executivo [da Soares da Costa, Joaquim Fitas] disse-nos que entre sexta e segunda-feira está resolvida a situação e que não se vai verificar mais”, afirmou o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, em declarações à agência Lusa no final de uma reunião com a administração da construtora.

Segundo explicou, em atraso estão dois meses de salários aos trabalhadores de Angola e um mês “a todos os trabalhadores em Portugal, desde os operários não qualificados aos mais qualificados”.

“Mas foi-nos dito que na sexta-feira ou na segunda-feira será tudo liquidado e que há perspetivas de a empresa ganhar algumas obras e, portanto, de a situação melhorar”, acrescentou.

Caso contrário, assegurou Albano Ribeiro, o sindicato estava já a preparar para sexta-feira uma greve dos trabalhadores da obra que a Soares da Costa tem em curso na zona da Ribeira do Porto, para ampliação do Hotel Pestana.

Conforme adiantou à Lusa o dirigente sindical, “para dia 2 ou dia 8” de julho ficou agendado novo encontro entre o sindicato e a administração da Soares da Costa “para ver se, realmente, a empresa ganhou os concursos das novas obras” previstas.

Na ocasião, referiu Albano Ribeiro, será ainda analisado o processo de despedimento coletivo de 272 funcionários que a empresa anunciou há algumas semanas, devido à falta de trabalho.

“O despedimento coletivo está a ser analisado, mas dadas as novas obras pode haver alguma alteração”, admitiu o sindicalista.

De acordo com Albano Ribeiro, as recentes informações de que “o setor está a criar mais emprego” são “a maior inverdade que pode existir” e “um discurso encomendado pelo Governo”.

“Por exemplo, a Soares da Costa chegou a ter 100 obras em simultâneo em Portugal e agora só tem três obras. No Porto [no setor da construção no global] chegaram a estar em curso cerca de 2.000 obras e agora só há cerca de 50”, disse.