A Standard & Poor’s estima que o défice orçamental alcance os 3% e o crescimento da economia portuguesa fique pelos 1,3% em 2015, previsões piores do que as inscritas pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado.

Num comunicado divulgado hoje pela agência de notação financeira, o défice orçamental no próximo ano deverá ficar 0,3 pontos percentuais acima dos 2,7% inscritos pelo executivo na proposta de Orçamento.

Já as estimativas de crescimento económico para 2015 da Standard & Poor’s , cujas notações atribuídas a Portugal não são solicitadas, ficam 0,2 pontos abaixo dos 1,5% previstos pelo Governo.

A agência de notação antecipa uma dívida pública de 124% do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano, acima dos 123,7% estimados pelo Governo.

Ainda para este ano, a S&P confirma a previsão do Governo de um défice de 4,8% do PIB, antecipa que a dívida pública se fixe nos 127% e é ligeiramente menos otimista quanto ao crescimento económico, esperando que o PIB aumente 0,9%.

O executivo liderado por Pedro Passos Coelho estima um crescimento económico de 1% este ano e uma dívida pública de 127,2%.

Para 2016, a agência prevê um défice de 2,5%, um ponto percentual acima do que o Executivo inscreveu para esse ano no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) divulgado no final de abril.

Para esse ano, a S&P confirma a estimativa de crescimento de 1,7% antecipada pelo Governo e estima uma dívida pública de 122,2% do PIB, ligeiramente abaixo dos 122,7% inscritos no DEO.

As previsões da agência de notação financeira encerram uma semana de várias estimativas macroeconómicas desfavoráveis relativamente às do Governo.

A Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipam, respetivamente, défices acima de 3,3% e de 3,4% do PIB em 2015, acima não só da meta de 2,7% inscrita na proposta de OE2015, mas também dos 3% que foram assumidos como “ponto de honra” pelo executivo para o país sair do Procedimento de Défices Excessivos.

A Standard & Poor's informou também que manteve o rating de Portugal em BB atribuído à dívida de longo prazo, permanecendo num nível de lixo, mantendo também as perspetivas estáveis.