Em Portugal, 19,5% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013. Destas, uma em cada cinco encontrava-se também em pobreza em pelo menos dois dos três anos anteriores, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado anualmente junto das famílias residentes em Portugal, mostra que se manteve o agravamento da taxa de intensidade da pobreza e uma forte desigualdade na distribuição dos rendimentos.

O limiar, ou linha de pobreza relativa (que corresponde a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários líquidos equivalentes) aumentou de 4 906 euros em 2012 para 4 937 euros em 2013, ou seja, de 409 euros para 411 euros em termos mensais

Pela primeira vez, são apresentados alguns dados sobre saúde recolhidos no âmbito do inquérito, nomeadamente sobre limitações no desempenho das atividades habituais devido a problemas de saúde e sobre dificuldades de acesso a cuidados de saúde devido a dificuldades económicas.

É assim possível concluir que o risco de pobreza em 2013 para as pessoas que referiram algum tipo de limitação foi de 21,5%, superior ao da população em geral. Por outro lado, verificou-se que as dificuldades financeiras foram a principal razão para a não satisfação dos cuidados de saúde.

Na semana passado, o INE já tinha apresentado dados provisórios de 2014, revelando que a população em risco de pobreza ou exclusão social em Portugal foi de 27,5%, atingindo mais de 2,8 milhões de pessoas.

Apesar de as percentagens não mostrarem uma alteração entre 2013 e 2014, houve menos 14.431 pessoas em situação de risco de pobreza ou exclusão social no ano passado, totalizando 2.853.076. 

O indicador população residente em risco de pobreza ou exclusão social combina dois indicadores construídos com base em informação relativa ao ano de referência do rendimento (Taxa de risco de pobreza após transferências sociais e Intensidade laboral per capita muito reduzida) com um indicador com informação relativa ao ano do inquérito (Taxa de privação material severa). 

Entre 2009 e 2014, a população residente em risco de pobreza ou exclusão social aumentou de 24,9% para 27,5% em 2014.