O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, elogiou, em Bruxelas, os esforços feitos pelos países sob programa, destacando em particular as reformas em Portugal, Espanha e Irlanda, «superiores» àquelas efetuadas pelos países do norte da Europa.

«Aplaudimos os esforços dos países representados aqui», que já estão «a recuperar alguma competitividade», disse o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), na abertura de um seminário sobre os desafios económicos na zona euro, referindo-se à presença, entre os oradores, dos ministros das Finanças de Portugal, Maria Luís Albuquerque, Irlanda, Michael Noonan, e do ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos.

O seminário, que decorre na sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, antes do início de uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro, e que conta também com a participação do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, começou com a apresentação, pelo responsável da OCDE, de um relatório sobre «desafios económicos e recomendações políticas para a zona euro», que sublinha os esforços de reformas feitos pelos países do sul da Europa.

Referindo-se a Portugal, Espanha e Irlanda, representados no painel, Gurría destacou o facto de estes países terem completado, ou estarem prestes a completar, os respetivos programas de assistência (no caso espanhol, limitado ao setor bancário), e a regressarem aos mercados, depois de anos de reformas, cujo ritmo foi mais acelerado nos países sob programa ou sob pressão dos mercados, caso também da Grécia.

Destacando igualmente o reequilíbrio «massivo» das contas públicas feitos países em questão, o responsável da OCDE sustentou, no entanto, que é necessário que os Estados-membros da zona euro se mantenham «comprometidos» com o roteiro de reformas estruturais, pois, tal como alerta o relatório hoje publicado, continua a ser grande o fosso entre as economias do norte e sul da Europa.

«A zona euro precisa de aumentar a produtividade e restaurar a competitividade», com vista ao crescimento e criação de emprego, realçou, assinalando também que a reforma do setor financeiro ainda não terminou.