O Banco Nomura acha improvável que Portugal avance para eleições antecipadas e diz que, mesmo que isso aconteça, não está preocupado com o resultado.

Em declarações à CNBC, o economista chefe do Nomura para a Europa, Jacques Cailloux, diz que a grande questão para Portugal é saber se há segundo resgate total ou se o país ainda conseguirá ficar-se por um programa cautelar, mais suave e que devolver ao país um maior nível de autonomia.

«Pensamos que os riscos de eleições antecipadas em Portugal não são assim tão elevados e, mesmo que houvesse eleições, também não estaríamos muito preocupados com o resultado, porque acreditamos que um novo Governo não seria muito contrário à reestruturação da economia e à continuação do ajustamento», afirmou.

Para o economista, «o mercado está a regressar a alguma calma», passado «o choque» que foi perceber que «alguém como Vítor Gaspar podia demitir-se, porque ele é uma figura importante entre os decisores políticos e os protagonistas dos mercados na Europa, em termos de ser uma força para reequilibrar a economia e ter um pacote de austeridade credível».

Para Cailloux, a saída de Gaspar «foi uma mensagem mais forte do que propriamente a remodelação no Governo», por lançar dúvidas sobre o caminho a seguir.

No que toca ao programa de ajustamento e a um eventual novo resgate, o economista desvaloriza o «contra-tempo»: todos os países intervencionados estão a percorrer «uma estrada com altos e baixos, Portugal está a atravessar um, Irlanda e Grécia também já tiveram alguns».

Para o Nomura, «a grande questão que se coloca a Portugal é saber qual será a estratégia de saída do programa de ajustamento: um novo resgate total, ou uma linha de crédito de contingência mais flexível que os proteja da ansiedade do mercado?». Uma questão que terá de ser discutida já nas «próximas semanas ou meses».