O crédito malparado deve continuar a aumentar em 2014, ainda que a um ritmo mais moderado se a recessão económica abrandar, considera a agência de notação Fitch, que se mostra preocupada com a deterioração dos ativos dos bancos.

«Esperamos que o crédito malparado suba em 2014, embora a um ritmo mais lento se a recessão económica diminuir», afirma, num documento hoje divulgado sobre as perpetivas para o sistema bancário português em 2014, em que considera ainda que deverá haver uma estabilização das imparidades de crédito para fazer face ao incumprimentos dos empréstimos.

As imparidades elevadas, as baixas taxas de juro e o menor volume de negócios são os fatores que irão, segundo a Fitch, ameaçar os resultados dos bancos em 2014, a que se somam os juros pagos ao Estado no caso das instituições que recorreram ao dinheiro público para se recapitalizarem (CGD - Caixa Geral de Depósitos, BCP, BPI e Banif).

Em contrapartida, a pressão sobre os resultados deverá ser compensada pelo menor custo dos depósitos, a eventual angariação de receitas com venda de ativos, a rentabilidade da atividade internacional e a redução dos custos.

Para a Fitch, a qualidade dos ativos dos bancos é o «maior risco» do sistema bancário português para 2014, apesar de considerar que pode começar a recuar se a economia portuguesa recuperar. A Fitch projeta que a economia vai crescer 0,2% em 2014.

Aliás, apesar do risco que antevê, a agência considera que a deterioração de ativos deverá ser «menos pronunciada» em 2014 do que em anos anteriores, já que é esperada alguma recuperação económica.

Os créditos às pequenas e médias empresas, aos setores da construção e imobiliário e àqueles setores que vivem do consumo interno são aqueles onde deteta mais vulnerabilidades, enquanto o crédito hipotecário deverá ter um desempenho melhor, apesar do risco de aumentar caso o desemprego continue elevado.

Quanto ao rating dos bancos, estes continuam «vulneráveis a riscos soberanos, incluindo o progresso de Portugal com a implementação do programa» de ajuda financeira, assim como à evolução da situação económica (caso a recessão dure mais do que esperado) e à continuada apresentação de prejuízos, já que colocaria em causa a manutenção de níveis de capitalização adequados.

A elevada dívida soberana de Portugal que os bancos detêm é outro fator de risco de crédito detetado pela Fitch, depois de a exposição ter aumentado em 2013. Também em 2014 a Ficth antecipa uma subida.

A empresa espera também que o financiamento do Banco Central Europeu (BCE) continue a ser uma importante fonte de financiamento e liquidez dos bancos no próximo ano, especialmente para BCP, CGD e Banif, enquanto deverá diminuir a contração de crédito e os depósitos devem continuar estáveis.

Quanto aos níveis de capital, a Ficth diz que os atuais são adequados, mas espera que os rácios de capital do Banif, BCP e CGD estejam sobre «grande pressão» em 2014 quando comparados com outros bancos em função do perfil mais fraco do risco de crédito destas instituições. Como para todos os outros indicadores, os riscos podem agravar-se caso a recessão económica dure mais do que o previsto, avisa.