Os bancos portugueses estão a estabilizar, suportados por ambiente operacional levemente favorável, ainda que frágil, considerou a Fitch Ratings num relatório publicado esta quinta-feira, no qual apontou para a perspetiva de crescimento da economia portuguesa nos próximos dois anos.

A agência de notação financeira antecipa um crescimento de 1,5% da economia portuguesa quer em 2016, quer em 2017, realçando que "há sinais de que a qualidade de ativos e a adequação das métricas de capital da banca podem estar a começar a melhorar".

Segundo a Fitch, "a fraca qualidade dos ativos continua a pressionar a rentabilidade e a solvência" dos bancos portugueses, com a entidade a antecipar um pico dos ativos problemáticos em 2016, ainda que vincando que o rácio de crédito em risco do setor face ao crédito total - a medida que melhor permite a comparação com os pares europeus - alcançou o seu valor mais alto no final de junho passado, quando tocou nos 12,6%.

A agência estima que "os ativos problemáticos do total do setor representam cerca de 100% do capital 'common equity tier 1' (CET1) exigido pelos reguladores".

Assim, a Fitch espera "melhorias moderadas no desempenho do setor em 2016, mas com a rentabilidade a continuar subjugada pelas baixas taxas de juro e pela desalavancagem em curso, apesar dos sinais de que os movimentos de crédito estão a crescer nos últimos meses".

E destacou: "A geração de capital a nível doméstico é fraca e estamos a antecipar uma modesta melhoria dos rácios de solvência em 2016".

A Fitch abordou ainda os desenvolvimentos relativos ao Novo Banco, recordando que a entidade resultante da intervenção do Banco de Portugal no antigo Banco Espírito Santo (BES) necessita de 1,4 mil milhões de euros de capital adicional, valor apurado após os exames feitos pelo Banco Central Europeu (BCE), cujos resultados foram divulgados em novembro.

"Isto vai ser alcançado através da venda de ativos não estratégicos e outras medidas de reforço de capital. Pensamos que pode surgir um novo acionista. E também pensamos que os riscos contingentes potenciais para o resto do setor bancário português relacionados com o processo de venda do Novo Banco foram reduzidos, já que as contribuições para o Fundo de Resolução [acionista único do banco liderado por Eduardo Stock da Cunha] vão poder ser feitas ao longo de vários anos", assinalou a Fitch.