A dívida pública de Portugal subiu no primeiro trimestre do ano para os 132,9% do Produto Interno Bruto (PIB), depois de ter fechado 2013 nos 129%, sendo atualmente a terceira mais elevada da União Europeia, revela o Eurostat.

Os dados divulgados esta terça-feira pelo gabinete oficial de estatísticas da UE revelam que, na comparação com o último trimestre de 2013, Portugal registou, a par da Bélgica, a terceira maior subida da dívida pública entre todos os Estados-membros (mais 3,9 pontos percentuais, equivalente no rácio português dívida/PIB a mais de 7 mil milhões de euros), apenas atrás da Eslovénia (mais 7%) e Hungria (5%).

Portugal superou assim a barreira dos 130% e só não passou para o segundo lugar na lista dos mais endividados porque a Itália também registou uma subida de três pontos, de 132,6% do PIB no final do ano passado para 135,6% no fim dos primeiros três meses do corrente ano.

A Grécia permaneceu como o país com a dívida pública mais alta, de 174,1% (ainda assim, 1 ponto percentual abaixo do valor registado no trimestre anterior, de 175,1%).

A dívida pública portuguesa atingiu, no final de março, os 220.696 milhões de euros, apesar de as estimativas do Governo apontarem para um recuo em 2014, para 126,7% do PIB.

Além de ser mais do dobro do limite previsto no Tratado Orçamental, que estipula que a dívida pública dos Estados-membros não pode superar os 60% do PIB, o rácio dívida/PIB de Portugal está também consideravelmente acima da média europeia, embora também se tenha assinalado uma subida tanto na zona euro - de 92,7% no último trimestre de 2013 para 93,9% no final do primeiro trimestre de 2014 - como no conjunto da UE a 28, de 87,2 para 88%.

Na comparação homóloga, ou seja, com o final do primeiro trimestre de 2013, a dívida pública também subiu, quer no espaço da moeda única (era de 92,5%), quer na UE (era de 86,2%), tendo Portugal sido um dos 16 Estados-membros a registar uma subida.

Nesse período, Portugal aumentou a dívida em 5,5 pontos, dos 127,4% do PIB para 132,9%, embora neste caso não esteja entre as mais significativas, que foram protagonizadas por Eslovénia (mais 23,9%), Grécia (13,5) e Croácia (9,9).

No extremo oposto, os países da UE com menor dívida pública são atualmente (no final do primeiro trimestre deste ano) a Estónia (10%), a Bulgária (20,3%) e o Luxemburgo (22,8%), e, na comparação com o último trimestre de 2013, as maiores descidas foram protagonizadas pela Polónia (menos 7,6 pontos percentuais), pela Alemanha (-1,1) e pela Grécia (-1%).