O antigo ministro socialista António Arnaut apresenta um livro para assinalar 60 anos de vida literária, na sexta-feira, em Coimbra, e através do qual admite a saída de Portugal do euro e da União Europeia (UE).

Num texto intitulado “Romper o cerco”, este fundador do PS e do Serviço Nacional de Saúde defende a necessidade de um «movimento de reabilitação nacional e das instituições democráticas», que venha a «concitar o apoio dos países lusófonos, revitalizando a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa».

«Este movimento deveria encarar, para se impor aos nossos parceiros dominantes, a hipótese de sairmos do euro ou da União, de forma programada, preferencialmente com outros países vítimas da mesma agiotagem», a fim de «barrar a tentação hegemónica da Alemanha», acrescenta António Arnaut, ao analisar «a dívida que devora alguns países» da União Europeia.

No mesmo texto, afirma que o Tratado Orçamental «impõe aos governos» dos países europeus «a redução da dívida para 60% do Produto Interno Bruto, justamente para, dessa forma, destruir por asfixia o Estado Social e mercantilizar a saúde, o ensino, as aposentações e as reformas».

Com a publicação da obra “Cavalos de vento”, que inclui textos de intervenção cívica, contos, ensaio e poesia, António Arnaut, nascido em 1936, em Penela, pretende assinalar os 60 anos da sua estreia literária e os 35 anos do SNS, do qual foi o principal impulsionador.

O livro não será comercializado, «destinando-se exclusivamente a ofertas» aos leitores e amigos do autor.
A apresentação realiza-se na sexta-feira, às 17:30, na sala de conferência da Coimbra Editora, no Arco de Almedina, em Coimbra.