As passagens de ano são tradicionalmente assinaladas com festejos, mas em Portugal a entrada no século XXI não trouxe grandes motivos para sorrir. Depois de uma década de ascensão, a economia portuguesa perdeu rumo, entrou em zonas de turbulência e inverteu a subida. A aterragem forçada teve um custo pesado em oito anos, os rendimentos dos portugueses cresceram apenas 0,3 por cento, avança o «Semanário Económico».

O número é fácil de calcular: basta trocar o Produto Interno Bruto (PIB) pelo Rendimento Bruto Nacional (RNB) como medida de riqueza e acrescentar mais um dado: a variação da população, um dado tradicionalmente desvalorizado, mas que ajuda a diluir os benefícios do crescimento económico.

A utilização do RNB permite retirar ao PIB os rendimentos pagos ao exterior. Aqui contam-se, essencialmente, os lucros de empresas estrangeiros que são repatriados e os juros da dívida externa. «O RNB é muito mais importante para aferir a verdadeira evolução das condições de vida dos portugueses porque é o que reflecte a riqueza que efectivamente fica dentro das fronteiras», defende o antigo ministro das Finanças, Eduardo Catroga, cita o «SE».