O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo PT (STPT) afirmou que se a Cabovisão e a Oni forem vendidas pela Altice deixarão de existir problemas para a PT Portugal, acrescentando que existirão no país interessados na compra daqueles ativos.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo PT (STPT), Jorge Félix, falava à saída de uma reunião com a Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM) onde o regulador terá esclarecido que a venda da Cabovisão e da Oni resolveria os eventuais problemas de concentração, que surgiriam com a compra da PT Portugal pela Altice.

«A venda da Oni e da Cabovisão não gerarão essas concentrações possíveis e não obrigarão a esses [novos] remédios e com certeza a possibilidade de desenvolvimento e de crescimento e a manutenção da PT Portugal, tal como está, acontecerá, o que será muito mais positivo do ponto de vista dos trabalhadores» frisou Jorge Félix.

Jorge Félix disse ter questionado a Anacom sobre se a venda da Cabovisão e da Oni chegam como remédios ou se será eventualmente necessária a venda de outros ativos da PT Portugal e reforçou que a opinião da ANACOM é a de que «muitas das situações de concentração a nível local que se poderão criar» ficariam resolvidas com a venda daquelas duas operadoras pela Altice.

«Pelo que se vai sabendo, a Altice tem disponibilidade para alienar a Cabovisão e a Oni e porventura poderá haver em Portugal "players"’ interessados nessa compra, o que pode vir a resolver o problema de base», disse.

Entre os próximos passos do sindicato, está a realização de uma reunião com o ministro da Economia, António Pires de Lima, já pedida, aguardando o STPT uma resposta esta semana, assim como uma outra com a Altice, sobre a qual também aguarda confirmação.

«Temos uma solicitação feita ao ministro da Economia, depois de ter estado em França. Penso que houve uma troca de informações importantes e queremos que nos esclareça em que é que essas conversações resultaram e o que o projeto da Altice traz de bom para Portugal, do ponto de vista económico e das telecomunicações, e para o próprio desenvolvimento da PT Portugal», disse.

Quanto à capacidade de intervenção da Anacom para já, o presidente do STPT lembrou que a mesma «só poderá atuar se a Autoridade da Concorrência (AdC) solicitar um parecer prévio», mas, por sua vez, esta também aguarda pela autorização de Bruxelas para poder tomar as rédeas deste processo em Portugal.

Caso a AdC não venha a solicitar o parecer prévio à Anacom, esta só vai poder atuar «depois da compra efetivada da PT Portugal e com a Altice já no terreno», intervindo «mercado a mercado, concelho a concelho».

O grupo Altice vai comprar a PT Portugal, que tem os serviços Meo e Sapo, entre outros, por 7.400 milhões de euros, depois dos acionistas da PT SGPS terem aprovado, em janeiro, o negócio.