As buscas efetuadas ao longo de todo o dia desta terça-feira na sede da Portugal Telecom, em Lisboa, e nas instalações da PriceWaterHouseCoopers (PwC) serviram para procurar o relatório da auditoria realizada pela consultora aos empréstimos de tesouraria efetuados pela PT a empresas do Grupo Espírito Santo, segundo apurou a TVI junto de fonte próxima do processo.
 
A meio da manhã desta terça-feira, os elementos da Polícia Judiciária chegaram à sede da PT SGPS, no décimo andar do edifício de Picoas, no centro de Lisboa, para realizar buscas. Ao mesmo tempo, também as instalações da PwC eram passadas a pente fino.
 
A mesma fonte confirmou que desde setembro que ambas as empresas se recusavam a entregar o documento à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
 
Em causa está o empréstimo de quase 900 milhões de euros à Rioforte, que venceu em julho e que nunca chegou a ser reembolsado.
 
O documento, a que a TVI teve acesso, conclui que a Portugal Telecom teve de se endividar para manter as aplicações financeiras junto do Grupo Espírito Santo.
 
Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a realização de buscas, no âmbito de um inquérito em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), por «suspeitas de participação económica em negócio e burla qualificada».
 
Nesta investigação, além da PJ e da CMVM, participam também elementos da Autoridade Tributária.

«Total e absoluta» disponibilidade para colaborar com a justiça

 A Portugal Telecom SGPS manifestou «a total e absoluta disponibilidade» para colaborar com a justiça, na sequência das buscas realizadas esta terça-feira pelas autoridades na sede da empresa, em Lisboa.

«A PT SGPS, SA reitera a sua total e absoluta disponibilidade para colaborar com as autoridades competentes, no propósito de assim contribuir para o cabal esclarecimento dos factos sob investigação», refere a empresa, em comunicado.


A PT SGPS esclarece que interveio «exclusivamente na qualidade de buscada», acrescentando que, «como sempre faz», prestou «toda a colaboração às autoridades judiciárias que conduzem o inquérito e aos órgãos de polícia criminal que as coadjuvam, bem assim como à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários».