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Portugal deveria renegociar ajuda externa

Martin Wolf, colunista do «Financial Times», recorda que país é um dos mais pobres da Europa e que deveria crescer 3% ao ano

Por: Redacção    |   2012-07-06 20:00

O colunista do «Financial Times», Martin Wolf, que esteve esta sexta-feira em Lisboa, considera que Portugal devia ter como objetivo crescer 3 a 4% ao ano, já que é um dos países mais pobres da Europa.

«É muito positivo o ajustamento económico em curso, mas Portugal permanece um país pobre, em termos relativos, na Europa. E claro que ainda não estão todos os indicadores equilibrados», salientou o responsável, explicando que a grande questão é saber quando é que a economia portuguesa volta a crescer.

«Portugal devia ter como objetivo crescer 3 ou 4% ao ano», defendeu durante a conferência «Zona Euro. Que futuro?», organizada pelo «Jornal de Negócios» e pelo BES, frisando ainda que «desde o início da década que tal não acontece».

Sobre a possibilidade de regressar aos mercados, Wolf disse que «Portugal tem tido um sucesso relativo em restaurar a confiança, ou melhor, a mostrar que está a fazer tudo para controlar o défice, e os indicadores que têm saído são encorajadores».

Ainda assim, sublinhou que «para perder a credibilidade nos mercados é um instante, mas para recuperá-la demora muito tempo».

Segundo o colunista, que apontava para a evolução das taxas de juro da dívida pública portuguesa, «desde janeiro que os mercados olham da mesma maneira para Portugal, o que já não acontece com outros países».

Mas «os mercados estão muito pessimistas acerca da Zona Euro e isto é muito assustador».

Questionado sobre a utilidade de serem implementadas novas medidas de austeridade no país, Wolf disse ser «cético» sobre essa medida.

«Faria sentido menos austeridade e mais financiamento. As coisas que correram mal [e levaram à crise da dívida soberana na Europa] não foram culpa de Portugal».

«As pessoas não sabiam bem o que significava a adesão ao euro. Agora, vocês, portugueses, sabem», atirou em tom de brincadeira, provocando uma gargalhada entre a audiência onde figuravam, entre outros, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, o presidente do BES, Ricardo Salgado, o presidente do BCP, Nuno Amado, e o chairman [presidente do conselho de administração] do Banif, Luís Amado.

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