Comemora-se este sábado o Dia Mundial da Poupança, um «desporto» em que os portugueses são conhecidos por não serem grandes «atletas». Mas nos últimos tempos, as coisas estão a melhorar.

Entre 2003 e 2007 a poupança dos portugueses encolheu progressivamente até tocar nos 6,2% do rendimento, de acordo com dados do Banco de Portugal (BdP). Mas desde 2008 que as coisas tomaram outro rumo, devido à crise económica mundial, que levou as famílias a tomarem uma atitude mais cautelosa na hora de consumir e a colocar mais dinheiro de parte para uma eventualidade, como o desemprego.

Para além disso, o rendimento disponível também aumentou para as famílias, à queda dos preços e à descida das taxas de juro, que permitiram poupanças significativas nas prestações do crédito.

Segundo os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2008 a taxa de poupança dos portugueses subiu para 6,4% e na primeira metade deste ano voltou a recuperar, atingindo os 8,6%.

A agência Lusa consultou alguns economistas, que consideram o comportamento dos portugueses normal para um contexto de crise. Para a economista do BPI Paula Carvalho, este «é um comportamento típico em épocas de recessão e de crise», porque «as famílias tornaram-se mais cautelosas e trata-se sobretudo de uma poupança precaucional». Já para o economista João César das Neves, «as pessoas andaram num excesso de consumo que levou à reacção contrária e isso é a crise. Estão a poupar porque têm de poupar. Não é bom, nem mau, é indispensável. O que a crise demonstrou é que as pessoas têm de pagar as suas dívidas, se julgavam que o nível de endividamento era sustentável, a crise demonstrou que afinal não é».

A prova de que não são só os portugueses a reagirem desta forma à crise, é que os níveis de poupança na Europa são os mais altos dos últimos 10 anos. Segundo os dados do Eurostat, a taxa de poupança das famílias subiu até 16,5% na Zona Euro, e para os 14,4% no conjunto da União Europeia.